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Política

Operação Zelotes

Guido Mantega, o novo alvo da Operação Zelotes

por Redação — publicado 09/05/2016 09h41, última modificação 09/05/2016 15h54
Via mandado de condução coercitiva, ex-ministro da Fazenda foi ouvido pela PF
Antonio Araújo / Câmara dos Deputados
Guido Mantega

Guido Mantega na CPI do BNDES, em outubro de 2015: ex-ministro é o novo alvo

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi alvo de um mandado de condução coercitiva nesta segunda-feira 9, concedido pela Justiça para a força-tarefa da Operação Zelotes. Mantega foi ouvido por cerca de duas horas na sede da Polícia Federal, em São Paulo, e deixou o prédio por volta do meio-dia.

A Zelotes investiga uma esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda no qual contribuintes podem contestar administrativamente - ou seja, sem passar pela Justiça - certas cobranças de impostos feitas pela Receita Federal.

As investigações apontam que servidores do Carf recebiam propina de grandes empresas para fazer as dívidas desaparecerem, num esquema que pode ter subtraído pelos menos R$ 5,7 bilhões em dívidas.

Em seu depoimento, de acordo com informações do jornal Valor Econômico, Mantega negou manter relacionamento com o empresário Victor Sandri, dono da Cimento Penha - a empresa teve débito fiscal de R$ 106 milhões revisto por decisão do Carf. “O ex-ministro não tem relacionamento algum com este senhor Sandri. Ele apenas fez um negócio imobiliário com ele. Herdou um terreno na década de 1970 e Sandri propôs um negócio pelo imóvel, fez a incorporação”, afirmou o advogado Guilherme Batochio, que defende Mantega.

Entre as empresas investigadas estão a RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, que teria tido ajuda do ministro do Tribunal de Contas da União Augusto Nardes; as montadoras Ford e Mitsubishi; e companhias como a Boston Negócios, J.G. Rodrigues, Café Irmãos Julio e Mundial-Eberle, entre outras.

Paralelamente, a Zelotes apura também o envolvimento de um filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-ministro Gilberto Carvalho em um suposto esquema de venda de leis.

Denúncias

No fim de março, o banqueiro Joseph Yacoub Safra, o segundo homem mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada em mais de US$ 18 bilhões pela revista Forbes, foi denunciado por corrupção ativa pelo Ministério Público Federal em Brasília.

Safra é acusado, ao lado de João Ignácio Puga, integrante do Conselho de Administração do grupo Safra, de usar os serviços do grupo criminoso para favorecer o grupo Safra em três processos administrativos no Carf.

Na última sexta-feira, o MPF em Brasília enviou à Justiça três ações penais contra 23 pessoas ligadas ao Banco Santander (antigo Bozano), e às empresas Qualy Marcas Comércio e Exportação de Cereais e Brazil Trading LTDA.

De acordo com dados apurados na fase preliminar da investigação, juntos os casos envolveram o pagamento de propina de cerca de R$ 4,5 milhões. Os envolvidos foram denunciados pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência,

Em fevereiro passado, uma nova fase da Zelotes bateu à porta da siderúrgica Gerdau, uma das maiores companhias do País, suspeita de ter subornado agentes públicos para livrar-se de R$ 1,5 bilhão em impostos.

Nova fase

Na fase da Zelotes deflagrada hoje, policiais federais cumprem 12 mandados de buscas e apreensão e 15 conduções coercitivas autorizadas pela Justiça Federal. As medidas foram solicitadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal com o objetivo de esclarecer fatos e conseguir provas em um dos inquéritos instaurados a partir dos desdobramentos da investigação iniciada há mais de um ano. Como o caso é sigiloso, o MPF não divulgará os nomes das pessoas e nem os endereços que foram alvo da operação. Os mandados estão sendo cumpridos no Distrito Federal e em Pernambuco e São Paulo.

Quanto ao material apreendido, o juiz determinou que, no máximo em 30 dias, seja providenciado o espelhamento de todas as mídias para que os equipamentos possam ser restituídos aos respectivos donos. A decisão é do dia 20 de abril e também já autoriza a quebra de sigilo dos dados contidos nas mídias apreendidas, bem como o compartilhamento das informações recolhidas com a Procuradoria da Fazenda Nacional e Receita Federal.