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Governo é "ilegítimo" e Dilma poderia renunciar, diz FHC

por Redação — publicado 17/08/2015 17h00, última modificação 01/09/2015 10h24
A petista "perdeu as condições de governar" por conta das "falcatruas do lulopetismo", diz o tucano
Wilson Dias / Agência Brasil

Pouco mais de duas semanas depois de dizer que Dilma Rousseff (PT) é uma pessoa "honrada", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou que o governo da petista é "ilegítimo" e defendeu sua renúncia. 

FHC atacou seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, e afirmou que os "malfeitos" do petista contaminam o governo atual, que não teria, segundo ele, condições de governar. De acordo com o líder tucano, as manifestações de 16 de agosto demonstraram que permanece na sociedade o sentimento de ilegitimidade, que emanaria das "falcatruas do lulopetismo". 

Sem mencionar diretamente a aproximação entre o Planalto e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que se posiciona como fiador do governo, FHC afirmou ainda que "os conchavos de cúpula só aumentam a reação popular negativa e não devolvem legitimidade ao governo".

Abaixo, a íntegra dos comentários de FHC:

O mais significativo das demonstrações, como as de ontem, é a persistência do sentimento popular de que o governo, embora legal, é ilegítimo. Falta-lhe a base moral, que foi corroída pelas falcatruas do lulopetismo. Com a metáfora do boneco vestido de presidiário, a Presidente, mesmo que pessoalmente possa se salvaguardar, sofre contaminação dos malfeitos de seu patrono e vai perdendo condições de governar.

A esta altura, os conchavos de cúpula só aumentam a reação popular negativa e não devolvem legitimidade ao governo, isto é, a aceitação de seu direito de mandar, de conduzir. Se a própria Presidente não for capaz do gesto de grandeza (renúncia ou a voz franca de que errou, e sabe apontar os caminhos da recuperação nacional), assistiremos à desarticulação crescente do governo e do Congresso, a golpes de Lavajato. Até que algum líder com forca moral diga, como o fez Ulysses Guimarães, com a Constituição na mão, ao Collor: você pensa que é presidente, mas já não é mais.