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Política

Brasília

"Fui reeleito presidente da República", diz Aécio em ato falho

por Redação — publicado 07/07/2015 16h13
O senador, derrotado por Dilma em outubro, nega que o PSDB esteja enveredando por caminho golpista
Igo Estrela
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Aécio celebra vitória na convenção do PSDB: ele teve 99,34% dos votos

A crise política que afeta o Palácio do Planalto e tem acirrado os ânimos entre governo e oposição ganhou um episódio pitoresco nesta terça-feira 7. Em entrevista ao programa Timeline Gaúcha, da Rádio Gaúcha, o senador Aécio Neves (MG), reeleito presidente do PSDB em convenção realizada no fim de semana, se confundiu, e disse ter sido "reeleito presidente da República".

Aécio cometeu o ato falho ao tentar justificar comentários feitos por líderes tucanos durante a convenção do PSDB. "O que nós dissemos na convenção que me reelegeu, neste domingo, presidente da República, é que o PSDB é um partido pronto para qualquer que seja a saída. Inclusive a permanência da presidente. O fato concreto é que ela perdeu as condições políticas de conduzir o Brasil a uma saída rápida para essa crise", disse Aécio. 

A convenção tucana foi marcado por discursos duros contra Dilma Rousseff, nos quais os principais líderes do partido falaram abertamente sobre a abreviação do mandato da petista. O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso disse que o Brasil "foi quebrado pelo lulopetismo", que Dilma perdeu a credibilidade e clamou uma "união do povo brasileiro ao redor das oposições" para encontrar uma saída para o Brasil. Sem mencionar o julgamento das chamadas "pedaladas fiscais" pelo Tribunal de Contas da União ou a denúncia de crime eleitoral contra Dilma na Justiça Eleitoral, FHC disse o PSDB não "poderá fugir de sua responsabilidade" e estaria pronto para "assumir o que vier pela frente".

Aécio, por sua vez, disse no domingo 5 ter perdido as eleições do ano passado não para um partido, mas para um "organização criminosa" e afirmou que o caminho do atual governo seria a "interrupção do mandato". Aécio também disse que os cinco anos de governo Dilma configurariam "meia década perdida" e colocou em dúvida a permanência de Dilma no poder. "Ao final de seu governo, que não sei quando ocorrerá, talvez mais breve do que alguns imaginem, os brasileiros estarão mais pobres", disse.

Nesta terça-feira 7, em entrevista à Folha de S.Paulo, Dilma Rousseff classificou setores da oposição de "um tanto golpistas" e rejeitou a possibilidade de ser tirada do cargo por um impeachment. "Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política. Não tem base para eu cair. E venha tentar, venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso", afirmou.

Na mesma entrevista em que cometeu o ato falho sobre sua reeleição, Aécio rejeitou a pecha de "golpista". Para ele, o PT estaria tentando deslegitimar o impeachment, um mecanismo previsto na Constituição. "O impeachment não é uma decisão das oposições. A oposição não tem que ser protagonista da derrubada de um presidente da República. Não somos golpistas. Mas temos que estar atentos por que há uma tentativa de lideranças do PT de criminalizar saídas constitucionais. O impeachment pressupõe um fato jurídico concreto. E ele pode acontecer e pode não acontecer", disse.

Em nota divulgada também nesta terça, Aécio acusou o PT de tentar "inibir a ação das instituições e da imprensa brasileiras". "Na verdade o discurso golpista é o do PT, que não reconhece os instrumentos de fiscalização e de representação da sociedade em uma democracia", afirmou o senador tucano.

Base sai em defesa de Dilma e Temer

O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), rebateu as críticas do presidente do PSDB. “O Aécio é o porta-voz do golpe. Deveria, pelo menos, honrar a história do seu avô [Tancredo Neves]”.

Após reunião com o vice-presidente Michel Temer, os presidentes e líderes de partidos da base aliada no Congresso Nacional reafirmaram o apoio à presidenta Dilma e a Temer após o discurso dos líderes oposicionistas sobre possíveis pedidos de impeachment. 

“Os líderes e dirigentes partidários abaixo-assinados manifestam o seu apoio à presidenta e ao vice-presidente. E reafirmam seu profundo respeito à Constituição e seu inarredável compromisso com a vontade popular expressa nas urnas e com a legalidade democrática”, destaca a nota assinada por parlamentares do PT, PMDB, PDT, PCdoB, PROS, PSD, PR, PRB, PHS e PSDC.

Para Temer, a nota de apoio revela a unidade da base. “Porque muitas vezes aparece uma informação, segundo a qual, um partido tal está descontente. Os líderes aliados da base não só verbalizam o apoio como hoje escrevem o que pensam”.

O líder do governo na Câmara destacou que a manifestação política é importante porque há um enfrentamento político intenso neste momento. “E é uma resposta para mostrar a unidade da base e unidade política naquilo que é fundamental”, disse. Segundo ele, o fundamental é a defesa da legalidade. E acrescentou: “Exorcizarmos os arautos do golpe e das saídas que não se coadunam com a democracia. A nota é para responder para a sociedade: a base não vai pactuar e nem vacilar na defesa do Estado Democrático de Direito”.

Com informações da Agência Brasil

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