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Política

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Ex-funcionário do HSBC que denunciou o Swissleaks vai ajudar CPI do Senado

por Redação — publicado 26/08/2015 11h45, última modificação 26/08/2015 11h50
Hervé Falciani anunciou que irá colaborar com as investigações de fraudes fiscais envolvendo clientes brasileiros no escândalo. A CartaCapital, Falciani havia adiantado sua disposição em colaborar
Serio Perez/Latinstock
Falciani

Falciani teve de violar o segredo bancário para expor o esquema de fraude fiscal

Hervé Falciani, 42 anos, é o principal responsável por revelar ao mundo o Swissleaks, um escândalo de fraude fiscal e lavagem de dinheiro de cifras bilionárias no banco inglês HSBC, através de sua filial na Suíça. Ex-empregado do banco, Falciani enviou informações sobre o escândalo às autoridades do Fisco francês, em 2009. Este ano, os dados chegaram às mãos de um consórcio internacional de jornalistas e ganharam a primeira página dos principais jornais do mundo após serem divulgadas por dois jornalistas do jornal francês Le Monde.

Nesta quarta-feira 25, conforme adiantou em entrevista à CartaCapital, Falciani disse que irá colaborar com as investigações de fraudes fiscais envolvendo clientes brasileiros no escândalo. No Brasil, as principais investigações ocorrem na Receita Federal e na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do HSBC, no Senado Federal. Entre as 106 mil contas de pessoas físicas e jurídicas de diversos países havia 8.667 de brasileiros.

Assim como ocorria com o restante dos clientes, acredita-se que o dinheiro era distribuído em pacotes não rastreáveis e o HSBC aconselhava os clientes brasileiros sobre a forma de contornar as autoridades fiscais para se esquivarem dos impostos e a esconderem milhões em ativos. Ao todo, estima-se que mais de 748 milhões de reais circulou neste circuito financeiro entre 2006 e 2007, que envolve 106 mil clientes de 203 países e 20 mil sociedades offshore.

“Precisamos ter acesso à fonte de dados para que possamos aprofundar as investigações. Manter dinheiro em contas no exterior não é crime pela legislação brasileira, a menos que a quantia não seja declarada”, afirmou o presidente da CPI, o senador Paulo Rocha (PT-PA).

O HSBC, que é o segundo maior grupo bancário do mundo, admitiu as irregularidades cometidas na sua filial suíça. "Nós reconhecemos e somos responsáveis pela vigilância no passado e pelas falhas de controle", disse o banco em nota.

Desde sua criação, a CPI tem enfrentado dificuldades para realizar suas investigações. Agora, na próxima quarta-feira 2, a comissão deve votar o pedido para prorrogar os trabalhos. Contudo, o requerimento ainda deve ser aprovado pelo plenário do colegiado.