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Política

Em SP, mais pressão contra Dilma

por Redação — publicado 10/03/2015 16h28
A presidenta foi vaiada pelos funcionários de uma feira de construção civil
Roberto Stuckert Filho / PR

Dois dias depois do panelaço de domingo 8, a presidenta Dilma Rousseff voltou a enfrentar sua impopularidade, desta vez pessoalmente. Nesta terça-feira 10, durante visita à 21ª edição do Salão Internacional da Construção, a petista foi vaiada pelos funcionários dos estandes do pavilhão de exposições do Anhembi, na zona norte de São Paulo.

Vídeos e relatos mostram que a presidenta foi recebida com gritos de "fora Dilma" e "fora PT" e teria mudado seu trajeto durante a visita ao local para evitar os manifestantes.

As vaias foram mais uma manifestação contrária a Dilma em uma semana que terminará, no domingo 15, com atos em várias cidades do País a favor de seu impeachment. A petista enfrenta uma resistência derivada da polarizada eleição que venceu em outubro passado, mas também da indignação com as medidas do ajuste fiscal colocado em prática desde a troca da equipe econômica, agora comandada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

No discurso que fez nesta quarta, para uma plateia formada pelos empresários expositores do salão da construção, Dilma voltou a dizer que o ajuste fiscal é uma espécie de fase de transição necessária. “Nós vamos ter de ajustar", disse Dilma. "Nossa economia tem fundamento sólido e temos todas as condições de passar a uma nova etapa. Nós vamos fazer todo o esforço ao nosso alcance até o final deste ano para que os sinais de recuperação comecem a aparecer”, afirmou. Dilma afirmou que "não ignora a desaceleração da economia" e que tem trabalhado "de maneira sistemática para superá-la". Com esse objetivo, afirmou a presidenta, nas próximas semanas serão lançados a terceira fase do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, e o programa de concessões e PPPs para aeroportos, portos, ferrovias, rodovias e hidrovias.

No mundo político, o ímpeto pelo impeachment não está cristalizado. Nesta quarta-feira, o PSDB deve se reunir para tomar uma posição oficial a respeito dos protestos de 15 de março, mas na segunda-feira 9 o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mostrou não estar disposto a bancar os pedidos pela saída da petista. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), investigado no âmbito da Operação Lava Jato e cada vez mais claramente fazendo oposição ao governo, considerou que a tese do impeachment configura golpe, uma vez que Dilma acabou de ser eleita com 53 milhões de votos.

A tese de Cunha é a mesma do governo. Em entrevista a CartaCapital, o ministro Miguel Rossetto, secretário-geral da Presidência, afirmou que o impeachment é uma "tese de neoliberais em crise e golpistas".