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Política

Ministério Público

Dilma confirma recondução de Janot

por Redação — publicado 08/08/2015 21h30
Escolha do mais votado entre os procuradores assegura "autonomia" da Procuradoria-Geral, diz Dilma
Marcelo Camargo / Agência Brasil
Rodrigo Janot

Rodrigo Janot em março, durante apresentação de propostas do MPF para o combate à corrupção. Ele deve ficar mais dois anos no cargo

A presidenta Dilma Rousseff confirmou neste sábado 8 a recondução de Rodrigo Janot para a Procuradoria-Geral da República, o cargo mais alto do Ministério Público. A decisão, que já era esperada, foi anunciada a Janot pela manhã, em reunião no Palácio do Alvorada com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. 

Ao escolher Janot, o mais votado na eleição da Associação Nacional dos Procuradores da República, com 799 votos, 288 a mais do que obteve na eleição anterior, há dois anos, Dilma disse que a ação afirmava a "autonomia" da PGR. 

Desde 2003, os presidentes da República conduzem ao cargo o nome mais votado na ANPR, uma tradição iniciada com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vez que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) rejeitava a recomendação da associação.

Responsável por investigar e processar políticos com foro privilegiado previsto na Constituição, Janot lidera a Operação Lava Jato, que apura um imenso escândalo de corrupção envolvendo empreiteiras, funcionários públicos, doleiros, partidos e político que se concentra na Petrobras, mas que chegou a outros órgãos públicos, como a Eletrobras.

O trabalho tem despertado a ira de políticos. Na semana passada, o ex-presidente e hoje senador Fernando Collor (PTB-AL) chamou Janot de "filho da puta". Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por sua vez, afirma que Janot montou um conluio com o Planalto para enquadrá-lo na Lava Jato. Entre outras denúncias, Cunha é acusado de solicitar US$ 5 milhões de propina para autorizar negócios com a Petrobras.

Quem também tem em Janot um desafeto é o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Outro investigado pela PGR na Lava Jato, Renan pode postergar a confirmação de Janot, uma vez que o Senado é o responsável por dar a anuência à recomendação da presidência da República. Isso criaria um limbo na PGR, que seria comandada por um interino.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pelo Planalto:

A Presidenta da República, Dilma Rousseff, decidiu reconduzir ao cargo de Procurador-Geral da República o dr. Rodrigo Janot. A decisão foi informada ao próprio Procurador-Geral na manhã deste sábado (8), em reunião oficial no Palácio do Alvorada, realizada com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

A escolha da presidenta Dilma Rousseff acolhe, novamente, posicionamento da maioria dos membros do Ministério Público Federal, assegurando assim, de fato, a autonomia estabelecida na Constituição de 1988 a esta importante instituição da República.