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Política

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Dilma: "A democracia será sempre o lado certo da história"

por Redação — publicado 18/04/2016 19h24
No primeiro pronunciamento após derrota na Câmara, presidenta criticou a condução do processo por Cunha e a articulação pró-impeachment de Temer
Dilma Rousseff

'Vivo na democracia agora, mas, de certa forma, estou tendo o meu direito torturado', declarou Dilma na segunda 18

Um dia após a derrota do governo e a aceitação da admissibilidade do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que se sente indignada e injustiçada com o processo de afastamento e que "o mundo e a história" observam cada ato praticado neste momento.

“Sem democracia não haverá crescimento econômico e as políticas de inclusão que desenvolvemos nos últimos anos. A democracia será sempre o lado certo da história”, afirmou a presidenta, em seu primeiro pronunciamento público após o resultado desfavorável na Câmara. 

“Comecei lutando na Ditadura aberta, que te torturava, matava e tirava a vida de seus companheiros. Eu vivo na democracia agora, mas, de certa forma, estou tendo os meus sonhos e o meu direito torturado”, disse.

Afirmando que assistiu a todas as intervenções dos deputados durante a votação, a presidenta disse que não viu uma discussão sobre o crime de responsabilidade, única maneira de se julgar um presidente no Brasil. “Se é possível condenar uma presidenta sem culpabilidade, o que pode ser feito contra o cidadão qualquer?”, questionou.

Dilma criticou os decretos e as chamadas pedaladas fiscais, descritas no processo como "contratações ilegais de operações de crédito", bases do processo de impeachment em curso, dizendo que tais atos foram praticados por outros presidentes em períodos anteriores, sem serem considerados ilegais ou criminosos.

“Quando me sinto indignada e injustiçada, é porque a mim se reserva um tratamento que não se reservou a ninguém. Os atos dos quais me acusam foram baseados em pareceres técnicos e nenhum deles beneficia a mim pessoalmente”.

Em menção indireta ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, Dilma afirmou ainda que “aqueles que têm conta no exterior” presidiram o processo e que possui a consciência que não há ilegalidade nos atos que assinou e motivaram o pedido de impeachment."Não os fiz ilegalmente e baseado em nenhuma ilegalidade. Tenho certeza que sabem que é assim", disse.

Dilma também criticou duramente participação do vice-presidente, Michel Temer, na articulação do impeachment. “É extremamente inusitado e estarrecedor que um vice-presidente no exercício do seu mandato conspire contra o presidente abertamente. Em nenhuma democracia do mundo pessoa que fizesse isso seria respeitada, porque a sociedade humana não gosta de traidor”.

 (Com informações da Agência Brasil)