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Política

Operação Lava Jato

Delcídio recebeu propina de US$ 10 milhões no governo FHC, diz Cerveró

por Redação — publicado 09/12/2015 11h16, última modificação 09/12/2015 11h25
Segundo jornal, senador petista, preso pela PF, teria recebido suborno quando era diretor de Óleo e Gás da Petrobras
Pedro França/Agência Senado
Delcidio-do-Amaral

Senador Delcídio do Amaral, preso sob acusação de obstruir investigações da Lava Jato

Em acordo de delação premiada, Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, relatou aos procuradores da Operação Lava Jato que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) recebeu 10 milhões de dólares em suborno durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1999 e 2001, quando era diretor de Óleo e Gás da Estatal. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

Durante o mandato do tucano, Nestor Cerveró foi um dos gerentes de Óleo e Gás da estatal, sob direção de Delcídio, preso no dia 25. O senador é acusado de tentar obstruir as investigações da Lava Jato ao subornar Cerveró para que seu nome não constasse em delação premiada.

Segundo o relato do ex-diretor da Petrobras, o repasse a Delcídio teria sido feito pelo lobista Afonso Pinto Guimarães, responsável pela francesa Alstom no Rio de Janeiro, durante a compra de turbinas para a TermoRio, inaugurada em 2006. A Petrobras tinha pressa em construir termoelétricas por causa da alta demanda de energia e do apagão que ocorreu durante o período.

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O ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Documentos apreendidos pela Polícia Federal traziam os nomes “Nestor, Moreira e Afonso Pinto” e “Guimarães Operador Alstom BR pago p/ Delcídio”. Moreira seria o ex-gerente da Petrobras, Luis Carlos Moreira, que participou do caso das turbinas.

O relato do suposto suborno pago a Delcídio pela Alstom estará em um dos 36 anexos da delação do ex-diretor, cada um deles relatando casos específicos de propina. As novas fases da delação de Cerveró devem explicar detalhadamente como se deu essa operação.

A Alstom, que nega o uso de suborno para obter contratos, também é alvo de investigações em São Paulo, sob suspeita de ter pagado propina em contratos com o Metrô, CPTM e empresa de energia do governo de São Paulo, sempre em governos tucanos.