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Política

Operação Lava Jato

Delação de Delcídio atinge Lula e Dilma, diz revista

Segundo publicação, presidenta teria manobrado para tentar tirar executivos da cadeia
por Redação — publicado 03/03/2016 12h48, última modificação 03/03/2016 13h20
Ricardo Stuckert / Instituto Lula
Delcídio do Amaral e Lula

Delcídio do Amaral e Lula em evento em 2013: segundo revista, o senador acusa o ex-presidente

O ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS), preso em novembro sob acusação de tentar atrapalhar as investigações sobre a corrupção na Petrobras, fez um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, segundo informou a TV Globo nesta quinta-feira 3.

E o conteúdo da delação, de acordo com a revista Istoé, que antecipou para esta quinta-feira sua publicação, geralmente marcada para os sábados, atinge tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto a presidenta Dilma Rousseff, ambos do PT.

A delação, segundo a emissora e a revista, foi acertada com os investigadores, mas ainda não foi homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, responsável pela Lava Jato no STF. De acordo com a revista, Zavascki não aceitou uma cláusula que congelava a delação por seis meses e teria determinado a retirada do item, solicitado pela defesa de Delcídio do Amaral. 

Sozinha, a delação não serve de prova nos tribunais, mas ela pode vir a embasar investigações que encontrem outros elementos para comprovar irregularidades. Politicamente, no entanto, as delações, mesmo sem comprovação, têm potencial explosivo, como vem ficando claro na Lava Jato. E as palavras de Delcídio, segundo a Istoé, comprometem Lula e Dilma de forma contundente.

De acordo com a revista, Dilma, ao lado do ex-ministro da Justiça e atual advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, e do advogado Sigmaringa Seixas, teria tentado interferir três vezes no Judiciário para conter a Lava Jato.

A primeira teria ocorrido em julho de 2015, durante encontro entre Dilma, Cardozo e o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, em Portugal, o qual não teria rendido resultados. Depois, diz a revista, Dilma e Cardozo teriam manobrado duas vezes para nomear ministros para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) que teriam o compromisso de atuar pela soltura dos empresários Marcelo Odebrecht, dono da Odebrecht, e Otávio Marques de Azevedo, executivo da Andrade Gutierrez. 

A suposta investida teve sucesso, disse Delcídio segundo a revista, quando o desembargador Marcelo Navarro foi nomeado para o STJ com o que seria um compromisso de soltar Odebrecht e Azevedo.

Ainda segundo a revista, Delcídio disse que Dilma sabia das irregularidades envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e contribuiu para a nomeação de Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, para a BR Distribuidora. Cerveró é uma das figuras centrais na investigação da Lava Jato, e é apontado como um dos operadores do recebimento de propina por partidos políticos.

Delcídio, também de acordo com a Istoé, atribui ao ex-presidente Lula sua própria prisão. Delcídio foi detido por empreender esforços para dissuadir Cerveró de firmar acordo de delação premiada e evitar que ele o delatasse. Segundo a revista, entretanto, o senador afirma que teria partido de Lula a ordem para tentar subornar Cerveró e que o objetivo era evitar o comprometimento do pecuarista José Carlos Bumlai, homem próximo a Lula.

Até aqui, o Instituto Lula e o Palácio do Planalto não se manifestaram sobre o que seria a delação premiada de Delcídio do Amaral.