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Política

Operação Lava Jato

Delação de Delcídio atinge Aécio e Renan, dizem jornais

Senador teria citado ainda integrantes da cúpula do PMDB; defesa de petista volta a negar delação e fala em "documentos falsos"
por Redação — publicado 09/03/2016 09h48
Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
Aécio Neves e Renan Calheiros

Aécio Neves e Renan Calheiros no Senado: os dois teriam sido citados por Delcídio

A delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que estaria sendo negociada com a força tarefa da Operação Lava Jato, mas que ainda não teria sido homologada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, atinge, além do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e quatro importantes membros da cúpula do PMDB, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). As informações são dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.

No caso de Aécio Neves, é a quinta vez em que ele é citado em depoimentos da Lava Jato, as outras tendo ocorrido nos depoimentos do doleiro Alberto Youssef; de um de seus entregadores de dinheiro, Carlos Alexandre de Souza Rocha, o "Ceará" (ambos casos arquivos); do lobista Fernando Moura, ligado ao PT; e do ex-deputado do PP Pedro Corrêa. 

Há poucos detalhes a respeito da suposta citação a Aécio. A Folha diz que "pessoas próximas à investigação" confirmaram a presença de Aécio na delação, mas não especifica em que situação. O Globo, por sua vez, diz que a citação "diz respeito à atuação do tucano numa Comissão Parlamentar de Inquérito, cujo detalhamento continua em sigilo".

No caso do PMDB, os citados são, além de Renan, os senadores Edison Lobão (MA), Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO). O único detalhe citado nas reportagens se refere a Renan Calheiros. De acordo com o Globo, Delcídio teria dito que o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE) atuava em nome do senador. Em 2015, Gomes foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República no caso da Lava Jato, mas a segunda turma do STF rejeitou a denúncia por unanimidade.

Defesa de Delcídio rechaça delação

Todos os citados negaram a participação em qualquer irregularidade ou se recusaram a comentar o caso. A defesa de Delcídio, sob os cuidados de Antonio Augusto Figueiredo Basto, advogado que já liderou outros acordos de delação premiada, negou as citações.

"Nego o conteúdo e a origem da delação. Não há citação a nenhum senador, desconhecemos. Não reconhecemos nenhum documento que está sendo divulgado. Estão divulgando documentos falsos, de origem desconhecida e manipuladora".

Na semana passada, quando uma reportagem da revista Istoé trouxe supostos detalhes da delação de Delcídio, que teria incriminado Lula e Dilma Rousseff em seus depoimentos aos procuradores, a defesa do senador petista também rechaçou a notícia. "Nem o senador Delcídio, nem sua defesa confirmam o conteúdo da matéria", escreveu Antonio Basto. "Não conhecemos a origem, tão pouco reconhecemos a autenticidade dos documentos que vão acostados ao texto”, dizia a nota

De acordo com a Istoé e com a TV Globo, a delação de Delcídio não foi homologada por Teori Zavascki, responsável pela Lava Jato no STF, porque ela incluía uma cláusula de sigilo de seis meses. Zavascki não teria aceitado a condição e teria devolvido o documento para que ao item fosse retirado.