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Conversa entre Dilma e Lula é grampeada pela PF

por Redação — publicado 16/03/2016 20h17
Ligação sugeriria, na visão dos investigadores da PF, tentativa de impedir a prisão de Lula; Moro não vê indícios de interferência
Wilson Dias/Agência Brasil/Fotos Publicas
Dilma

Dilma anunciou nesta quarta-feira 16 Lula como novo ministro-chefe da Casa Civil

Um grampo telefônico realizado nesta quarta-feira 16, e divulgado pela força tarefa da Operação Lava Jato revelou uma uma conversa entre a presidenta Dilma e o agora empossado ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva. A gravação foi incluída no inquérito do juiz Sérgio Moro.

Um dos diálogos em questão seria esta ligação, realizada por volta das 13h de hoje:

DILMA: Alô.
LULA: Alô.
DILMA: LULA, deixa eu te falar uma coisa.
LULA: Fala querida. “Ahn”
DILMA: Seguinte, eu tô mandando o “Bessias” junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!
LULA: “Uhum”. Tá bom, tá bom.
DILMA: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
LULA: Tá bom, eu tô aqui, eu fico aguardando.
DILMA: Tá?!
LULA: Tá bom.
DILMA: Tchau
LULA: Tchau, querida.

Os investigadores da Polícia Federal interpretaram o diálogo como uma tentativa de blindar uma eventual prisão de Lula, que ainda não teria foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal por não ter assumido um ministério. Esse seria o "termo de posse" (como ministro) citado na conversa. Uma edição extra do Diário Oficial da União confirmou hoje a tarde o recebimento do cargo de ministro-chefe da Casa Civil por Lula.

“Observo que, em alguns diálogos, fala-se, aparentemente, em tentar influenciar ou obter auxílio de autoridades do Ministério Público ou da Magistratura em favor do ex-Presidente”, afirma Moro no despacho de sua decisão.

O juiz diz, porém, que “não há nenhum indício nos diálogos ou fora deles de que estes citados teriam de fato procedido de forma inapropriada e, em alguns casos, sequer há informação se a intenção em influenciar ou obter intervenção chegou a ser efetivada”. 

A nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil e o vazamento da gravação entre ele e Dilma Rousseff inflamaram o ambiente político já polarizado. Na Câmara dos Deputados, parlamentares de oposição defenderam a renúncia da presidente. Em Brasília e em São Paulo, na Avenida Paulista, registraram-se protestos contra Dilma e Lula.