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Política

16 de agosto

Com menor mobilização, protesto em Brasília mira em Dilma e Lula

por Redação — publicado 16/08/2015 15h38
Ato reuniu 25 mil manifestantes, segundo estimativas da PM, metade do público arregimentado em março. Um boneco inflável representou o ex-presidente em uniforme de presidiário, um sonho da oposição
Valter Campanato/ ABr
Manifestação em Brasília

Manifestação contra o governo em frente à Esplanada dos Ministérios

A manifestação em Brasília, neste domingo 16, parece ter seguido o mesmo script da oposição no Congresso. Os brados de “Fora Dilma” são justificados pelo escândalo de corrupção na Petrobras, mas a indignação seletiva não permite referências ao neoaliado Eduardo Cunha, citado em delações da Operação Lava Jato. Além do presidente da Câmara, foram poupados outros caciques do PMDB igualmente enredados no escândalo, mas que podem ser úteis em um eventual processo de impeachment.

O objetivo é desgastar a imagem do governo, mas não só. O antipetismo raivoso voltou a dar o tom do protesto, e um grupo se dispôs a pagar 12 mil reais para encomendar um boneco inflável do ex-presidente Lula, representado com uniforme de presidiário e o número “13.171” à mostra.

O juiz Sergio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato em Curitiba, tornou-se o grande herói dos ativistas pró-impeachment, com menções de apoio em numerosas faixas e camisetas. Um pequeno grupo chegou a posar para fotos com a bandeira do Brasil Império. As viúvas da ditadura também se fizeram presentes, com cartazes clamando por uma “intervenção militar”. Eram vozes minoritárias. “Nem militarismo nem bolivarianismo”, orientava uma faixa empunhada em frente ao Congresso.

Os grupos que organizaram o ato na capital do País não demonstraram, porém, a mesma capacidade de mobilização. O protesto reuniu metade do público arregimentado no ato anterior. Neste domingo 16, segundo estimativas da Polícia Militar, havia cerca de 25 mil manifestantes na Esplanada dos Ministérios. Em 15 de março, eram 50 mil.

Apesar do revés, os ativistas pró-impeachment conquistaram maior presença na mídia que as 25 mil trabalhadoras que participaram da Marcha das Margaridas em 12 de agosto na capital, segundo estimativas da mesma Polícia Militar. Organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), o ato das mulheres manifestou apoio ao governo Dilma Rousseff, um discurso que, para a chamada grande mídia, não merece destaque nem cobertura em tempo real.