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Política

Operação Lava Jato

Cerveró envolve Lula na Lava Jato

por Redação — publicado 12/01/2016 09h26
Ex-diretor da Petrobras disse ter sido nomeado pelo ex-presidente após fazer negócio que teria beneficiado o PT
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Lula na Petrobras

Lula participa de ato em defesa da Petrobras no Rio, em fevereiro de 2015: Cerveró o acusa

Os vazamentos da delação premiada de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras e da BR Distribuidora, seguem indicando que as confissões do homem apontado como um dos principais operadores do esquema de corrupção na estatal podem estar entre as mais importantes para a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Em novo trecho do depoimento, Cerveró, que já tinha falado sobre propina paga ao "governo FHC", se tornou o primeiro delator a envolver diretamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema de corrupção.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Cerveró disse aos investigadores ter sido nomeado para a diretoria financeira da BR Distribuidora após a diretoria Internacional da Petrobras, então comandada por ele, fechar um contrato de 1,6 bilhão de dólares com a Schahin Engenharia para que a empreiteira operação um navio-sonda, o Vitoria 10.000. 

De acordo com as investigações do Ministério Público Federal, o contrato entre a Petrobras e a Schahin tinha como objetivo quitar uma dívida de cerca de 12 milhões de reais feita pelo PT com o Banco Schahin, intermediados por José Carlos Bumlai, pecuarista amigo de Lula e denunciado pelo MPF em dezembro.

Nestor Cerveró
Cerveró na CPI da Petrobras: delator diz ter recebido cargo de Lula após fechar negócio que teria quitado empréstimo do PT (Foto: Wilson Dias / Agência Brasil)

No depoimento, diz o jornal, Cerveró diz que Lula "decidiu indicar" seu nome para o novo cargo "como reconhecimento da ajuda do declarante [Cerveró]", por ele "ter viabilizado a contratação da Schahin como operadora da sonda". A atuação também rendeu a Cerveró, disse o próprio, "um sentimento de gratidão do PT".

Cerveró foi nomeado para a BR Distribuidora em 2008 e ficou na empresa, uma subsidiária da Petrobras, até março de 2014, quando foi demitido em meio ao escândalo a respeito das irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Ao jornal, o Instituto Lula disse que não comenta "vazamentos ilegais, seletivos e parciais de supostas alegações que alimentam a um mercado de delações sem provas em troca de benefícios penais".