Você está aqui: Página Inicial / Blogs / Parlatório / Carlinhos Cachoeira é preso pela PF; entenda a Operação Saqueador

Política

Corrupção

Carlinhos Cachoeira é preso pela PF; entenda a Operação Saqueador

por Redação — publicado 30/06/2016 16h26, última modificação 30/06/2016 16h55
Esquema de corrupção envolve a construtora Delta, que usou empresas de fachada para "lavar" R$ 370 milhões desviados dos cofres públicos
Agência Brasil
Cachoeira

O bicheiro Carlinhos Cachoeira

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira 30 a Operação Saqueador. O contraventor Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, foi preso em Goiânia, assim como o doleiro Adir Assad. Também tiveram pedidos de prisão decretados o sócio de Assad, Marcelo Abbud, e o presidente da Delta Construções, o empresário Fernando Cavendish.

Acusado de comandar um esquema de exploração ilegal de jogos de azar em Goiás, Cachoeira chegou a ser preso em fevereiro de 2012 pela Operação Monte Carlo, mas foi solto em dezembro do mesmo ano. Os desdobramentos daquela investigação levaram à criação da CPI do Cachoeira no Congresso, que revelou a ligação do bicheiro com políticos e empresas, entre elas a Delta Construções.

Adir Assad, por sua vez, foi condenado pela Operação Lava Jato e chegou ser preso em 2015, mas obteve o benefício da prisão domiciliar. Além do envolvimento no escândalo da Petrobras, Assad aparece como intermediador de propina em esquemas de desvios de obras no Estado São Paulo.

O engenheiro Marcelo Abbud também já foi envolvido em escândalos de corrupção. Em 2012, ele foi apontado na CPI do Cachoeira como responsável por empresas suspeitas de atuar como "laranjas" da construtora Delta.

O que é investigado pela Operação Saqueador?

A Operação Saqueador investiga um esquema de lavagem de R$ 370 milhões, que teriam sido desviados dos cofres públicos.

De acordo com a PF, entre 2007 e 2012, mais de 96% do faturamento da Delta Construções foi obtido por meio de contratos públicos, montante que chegou a quase 11 bilhões de reais. Desse valor, 370 milhões teriam sido lavados por meio do pagamento ilícito a 18 empresas de fachada.

Quais contratos foram usados pela Delta?

As investigações apontam que a construtora Delta fraudou, por exemplo, obras do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e, ainda, obras do parque aquático Maria Lenk, construído para o Pan de 2007 e que será usado na Olimpíada do Rio.

A Delta é envolvida em escândalos de corrupção desde 2010, quando a Operação Mão Dupla apontou a construtora como líder de um esquema de desvio de recursos de obras rodoviárias no Ceará.

Qual a participação de Carlinhos Cachoeira no esquema?

Cachoeira seria um dos operadores do esquema, assim como Adir Assad e o sócio Marcelo Abbud. Eles seriam os responsáveis por abrir as empresas de fachada que recebiam recursos da Delta.

Como funcionava o esquema revelado pela Saqueador?

As empresas, que só existiam no papel – nenhuma delas tinha sede, tampouco funcionários –, recebiam o dinheiro, mas não executavam o serviço. A Receita Federal constatou incompatibilidade entre a receita e a movimentação financeira das empresas, e os recursos públicos eram lavados por meio de contratos fictícios. Os agentes públicos envolvidos no esquema recebiam propina em espécie, a fim de evitar o rastreamento dos recursos.

O Ministério Público Federal observou, ainda, que os pagamentos feitos pela Delta às empresas de fachada aumentavam significativamente em anos eleitorais.

Qual o resultado da operação até agora?

Além de Cachoeira e Assad, foi preso o diretor da Delta, Cláudio Abreu. Outros dois que tiveram mandado de prisão expedido ainda não foram detidos. Um deles, Fernando Cavendish, teria deixado o Brasil no último dia 22, e a PF aguarda contato antes de considerá-lo foragido. O outro é Marcelo Abbud que, segundo a defesa informou à imprensa, deve se entregar ainda nesta quinta-feira.

A PF afirma que, com base nas investigações, que duraram aproximadamente três anos, 23 pessoas foram denunciadas à Justiça pelo Ministério Público Federal.