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Cardozo: “Câmara tomou decisão puramente política”

por Redação — publicado 18/04/2016 00h57, última modificação 18/04/2016 01h04
Logo após a abertura do processo de impeachment pela Câmara, o advogado-geral da União apontou Cunha como "mentor e executor" do processo
José Eduardo Cardozo

O advogado-geral da União e responsável pela defesa de Dilma fez pronunciamento após a decisão da Câmara

Após a admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, denunciou o caráter político das falas dos deputados durante a votação no domingo 17.

“As falas giraram sobre tudo, mas não sobre os argumentos, e as falhas do relatório que foram levantadas pela defesa. Isso nos mostra com clareza que a Câmara tomou uma decisão de natureza puramente política, e não é isso que a Constituição prescreve para o impeachment”, afirmou o responsável pela defesa do governo Dilma.

No regime político do parlamentarismo, disse Cardozo, razões puramente políticas podem levar ao afastamento de um governante. No presidencialismo, não. Por isso, a Constituição coloca o impeachment como uma situação excepcional. “Essa situação nos deixam tristes e indignados, pois trata-se de um golpe na democracia e nos 54 milhões que votaram em Dilma e um golpe na Constituição”.  

O advogado-geral da União também afirmou que o processo de impeachment na Casa foi uma vingança do presidente, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Nos traz indignação que ele seja o grande mentor e executor desse processo”, ressaltando, porém, que a decisão dos deputados não fará com que Dilma “deixe de lutar pelo que acredita”.

Cardozo afirmou que Dilma não tem apego a cargos, mas a princípios. “Ela esteve presa na Ditadura e não se acovardou. A luta que ela desenvolverá agora é a mesma que fez antes: pela democracia”.

Lembrando que “o mundo e a história” estão observando a situação brasileira, declarou que nenhum governo nascido de uma ruptura terá legitimidade. “A luta agora é pela democracia”, encerrou.

Em coletiva à imprensa após a declaração, Cardozo evitou comentar questões sobre as quais o governo ainda não se pronunciou, como novos pacotes econômicos e a possível convocação de novas eleições.

Sobre o seguimento do processo, o advogado-geral da União disse que, no Senado, “é outro contexto e outra realidade” e que lá será necessária produção de provas para que o afastamento da presidente seja aceito.