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Política

Minas Gerais

As dúvidas da Operação Acrônimo

por Redação — publicado 11/06/2015 14h52
Uma contadora filiada ao DEM diz ter errado prestação de contas de petista; e o ministro da Justiça cogita equívoco em ação que investiga a mulher de Fernando Pimentel (PT)
Omar Freire / Imprensa MG
Carolina Oliveira Pimentel

Carolina Oliveira Pimentel, a primeira-dama de Minas Gerais, nega ter feito negócios com as empresas de Bené

A enfermeira Helena Ventura, suspeita de ser a laranja de uma suposta movimentação ilícita na campanha do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), pode ter ido parar na Operação Acrônimo da Polícia Federal, que prendeu um empresário ligado ao petista, por conta de um equívoco.

Candidata a deputada estadual pelo PT no ano passado, Ventura declarou, em sua prestação de contas eleitoral, ter pagado 36 milhões de reais a uma firma pertencente a Benedito Rodrigues de Oliveira Neto. Conhecido como Bené, ele prestou serviços à campanha do governador eleito e foi o principal alvo da Acrônimo. Só que em vez de dezenas de milhões de reais, Ventura pagou à empresa de Bené apenas 725 reais, referentes a um rateio de santinhos encomendados por candidatos petistas.

Quem afirma isso, por meio de uma declaração escrita de próprio punho e registrada em cartório, é a contadora de Ventura, Rosilene Alves Marcelino. Em entrevista ao jornal O Tempo, a contadora, que é filiada ao DEM e posta mensagens antipetistas nas redes sociais, atribuiu a troca dos 725 reais pelos 36,6 milhões de reais a um equívoco. “Foi um erro de digitação”, disse Marcelino ao jornal mineiro. “Eu disse para ela: ‘Nem você, nem eu vimos’. Ela veio faltando uma hora (para acabar o prazo), querendo que eu fizesse a prestação de contas dela, que tinha que ser feita naquele dia”, disse.

O curioso fato deve reforçar a defesa de Pimentel, que atribui o surgimento do nome de sua mulher nas investigações, Carolina Oliveira, também a um erro. Quando deflagrou a Operação Acrônimo, em 29 de maio, a PF cumpriu 90 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal em endereços de pessoas físicas e jurídicas para tentar desbaratar o que seria uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro. Uma das empresas, a Oli Comunicação, pertence à primeira-dama mineira, e seria “fantasma”. Carolina Oliveira nega ter uma empresa de fachada e diz que a PF se equivocou ao fazer a busca, uma vez que sua empresa, agora fechada, funcionava no endereço de Brasília onde hoje estaria a PP&P Participações, uma das firmas de Bené.

Ainda não se sabe, no entanto, se havia negócios entre as empresas de Bené e a Oli Comunicação. Tanto o empresário quanto a primeira-dama negam, mas isso só deve ser esclarecido quando a PF rastrear as finanças das empresas de Bené.

A tese do “equívoco” foi reforçada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também do PT, que visitou Belo Horizonte na quarta-feira 10. Cardozo criticou a condenação antecipada em casos de investigação e cogitou a possibilidade de a PF, que é subordinada a ele, ter errado durante as apurações. “Se houver algum equívoco em qualquer operação da Polícia Federal, seguramente se esclarecerá e a justiça será feita”, afirmou Cardozo. “Por isso que nós jamais podemos prejulgar nada”.

Além da primeira-dama, a Operação Acrônimo tem outra ligação com Pimentel. A operação é resultado de uma investigação iniciada em outubro de 2014, quando a PF apreendeu 113 mil reais em dinheiro vivo em uma aeronave, pertencente a Bené, que chegava ao aeroporto de Brasília. No mesmo avião estava um membro da campanha Pimentel, o ex-funcionário do Ministério das Cidades Marcier Trombiere Moreira. À época, todos negaram qualquer tipo de irregularidade. Trombiere foi um dos presos na operação.