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Política

Câmara dos Deputados

Após polêmicas, PSOL expulsa deputado Cabo Daciolo do partido

por Redação — publicado 17/05/2015 15h10, última modificação 18/05/2015 03h04
Parlamentar contrariou estatuto da legenda ao fazer declarações e protocolar projetos de cunho religioso
Gustavo Lima - Câmara dos Deputados
Cabo Daciolo

A gota d’água teria sido a defesa que o parlamentar fez de militares envolvidos na morte do pedreiro Amarildo, desaparecido desde 2013

O Diretório Nacional do PSOL decidiu, neste sábado 16, expulsar o deputado federal Cabo Daciolo (RJ) do partido, por 54 votos a um. A decisão saiu dois meses depois do parlamentar ser suspenso por decisão da Executiva Nacional, quando teve oportunidade de fazer sua defesa. O motivo foi infidelidade partidária, já que o deputado contrariou o programa e o estatuto do partido tanto em declarações polêmicas como na atividade parlamentar. A legenda não divulgou, no entanto, se irá reivindicar o mandato na Justiça.

 O processo de expulsão começou depois que o militar apresentou uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), apelidada por ele de "PEC dos Apóstolos", que sugere alterar um parágrafo na Carta Magna: em vez de determinar que “todo o poder emana do povo”, como é atualmente, estabeleceria que “todo o poder emana de Deus”. O que fere a concepção do PSOL na defesa do Estado laico. Mas o ápice foi o discurso do deputado, no Plenário, em defesa dos PMs  que estariam envolvidos com o sumiço, tortura e morte do pedreiro Amarildo de Souza, em 2013.

De acordo com o parecer da comissão de ética, a posição do deputado Cabo Daciolo de defender os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) "vai na contramão do engajamento de militância do partido na campanha Cadê Amarildo? e na luta contra a criminalização dos moradores das periferias". Com a expulsão do Cabo Daciolo, a bancada do PSOL na Câmara passa dos atuais cinco para quatro deputados federais.

Cabo Daciolo foi eleito, pela primeira vez, em 2014, quando iniciou sua carreira política. Ele foi convidado para se filiar ao partido porque havia liderado a greve dos bombeiros no Rio de Janeiro, em 2011. Na ocasião, ele comandou a invasão do Quartel General da corporação e o acampamento nas escadarias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O partido, no entanto, parece não ter percebido que o militar não era tão progressista como dizia.

Antes mesmo de assumir o mandato, Cabo Daciolo já havia criado constrangimento ao partido. Na época da diplomação dos deputados eleitos, ainda no ano passado, ele ‘tietou’ o deputado Jair Bolsonaro e seu filho depois da cerimônia e posou para uma foto com os dois. Depois, divulgou um vídeo na sua página em que dava a entender que Brasil vive “falsa democracia” e pedia a nomeação de um general para o Ministério da Defesa.

Após a expulsão, Daciolo divulgou um texto em sua rede social, no qual acusa o PSOL de desrespeitar sua liberdade e religiosa e persegui-lo.  “Fui discriminado. Mesmo assim, eu os perdoo. Não levo mágoas comigo”. Leia o texto na íntegra:

“TODO O PODER EMANA DE DEUS!

Não recebi com alegria a notícia de minha expulsão pelo Diretório Nacional do PSOL. Fui eleito com 49.831 votos, numa campanha desacreditada pela maioria dos militantes psolistas. Não tive tempo de TV e os recursos financeiros foram escassos. Mesmo assim, diante da especulação negativa de que seria derrotado nas ruas, Deus, o Todo-poderoso, honrou a nossa fé e o empenho voluntário, aguerrido, das pessoas que acreditaram genuinamente em nossa proposta.

O meu desejo é permanecer no PSOL. Sempre foi. Quando fui suspenso, apresentei minha defesa, sem abrir mão dos pontos que defendo, mas expressando a minha sincera vontade de continuar filiado. Hoje não é um dia para se comemorar. Todavia, a minha confiança está no Senhor e nos seus desígnios. A vontade de Deus é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2). A Bíblia, o meu único manual de fé e prática, diz que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus. Nunca me envergonharei em declarar que Deus vem em primeiro lugar na minha vida. Todo o poder emana de Deus.

O PSOL me perseguiu, desrespeitou a minha liberdade religiosa e não permitiu que eu pudesse discutir as minhas propostas junto ao partido. Fui discriminado. Mesmo assim, eu os perdoo. Não levo mágoas comigo. Jesus me ensinou a perdoar. Para encerrar, quero reiterar que em qualquer partido político irei honrar a minha fé e defender os militares. Militar também é cidadão.

Sigo em frente, de cabeça erguida, sabendo que Deus está no controle. O trabalho não vai parar. Vamos honrar cada voto. Juntos somos mais fortes.

Abraços fraternos,

Cabo Daciolo

Deputado Federal”

*Com informações da Agência Brasil