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Sociedade

Chacina

Alunos fazem ato em aula do secretário de Segurança de SP

por Redação — publicado 24/08/2015 17h55, última modificação 24/08/2015 18h59
Integrantes de centro acadêmico cobraram participação de Alexandre de Moraes em audiência pública sobre a chacina ocorrida em Osasco e Barueri
Charge PM

 

Alunos da Faculdade de Direito da USP convidaram, nesta segunda-feira 24, o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes, a esclarecer as atitudes das forças policiais do estado e as investigações sobre a chacina que deixou 18 mortos em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, no dia 13 de agosto. 

Ao todo, cerca de 15 alunos do centro acadêmico da faculdade interromperam a aula de Moraes em um ato de protesto para convidá-lo a participar da audiência pública desta terça-feira 25, que pretende debater as mortes e aumentar o diálogo entre o governo e os familiares das vítimas.

Após o ato, os estudantes deixaram a sala entoando: "em cada morro uma história diferente e a polícia mata gente inocente".

Assista ao vídeo:

Nesta manhã de segunda feira, alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco - USP entraram na aula do professor Alexandre de Morais, Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Tal intervenção teve como objetivo firmar o compromisso do referido professor em comparecer na audiência pública do dia 25 de agosto. A audiência será sobre a chacina ocorrida em Osasco, na noite do dia 13, logo, tratará de questões que em muito influenciam a vida de moradores de favela, em sua maioria jovens negros, que vem sofrendo um verdadeiro genocídio. Esses casos têm como protogonista a polícia do Estado, que segue ordens diretas do secretário, Alexandre de Moraes. O convite para a audiência pública foi feito e esperamos que o secretário compareça para explicar as atitudes da segurança pública do Estado de São Paulo e para que ocorra o diálogo com as pessoas diretamente afetadas por essa política fascista e genocida.EM CADA MORRO UMA HISTÓRIA DIFERENTEE A POLÍCIA MATA GENTE INOCENTE

Posted by Centro Acadêmico XI de Agosto on Segunda, 24 de agosto de 2015


A atitude dos alunos contrasta com a recepção calorosa dada ao secretário e aos policiais militares pelos participantes do ato contra o governo federal, no dia 16 de agosto. Apesar da suspeita de que policiais militares possam ter participado da chacina, manifestantes não se inibiram em aplaudir Moraes, que elogiou as forças policiais do estado, e em fazer selfies com integrantes da Polícia Militar e da Tropa de Choque, presentes no protesto na avenida Paulista, em São Paulo.

Aplaudido em protesto por impeachment, secretário ignora chaci...

O Democratize cobriu no domingo (16 de agosto) dois protestos que aconteceram em lugares diferentes, mas ao mesmo tempo: um exigindo o impeachment de Dilma Rousseff, organizado por movimentos de direita, e outro pedindo explicações ao governo do estado sobre a chacina realizada em Osasco na semana passada.O Secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, Alexandre de Moraes, foi ao ato da Paulista. Lá, tratado como herói, tirou fotos com os manifestantes, foi aplaudido, e ainda fez questão de elogiar a força do aparato militar no protesto. Porém, quando questionado pela fotógrafa do Democratize, Sarah Ferreira, sobre o possível envolvimento de policiais militares na chacina em Osasco, a reação foi bem diferente.Vídeo: Sarah Ferreira e Francisco ToledoEdição: Francisco Toledo

Posted by Democratize on Segunda, 17 de agosto de 2015

Os atos em repúdio à chacina, contudo, sofreram retaliações nas redes sociais. O advogado Ariel de Castro Alves, por exemplo, sofreu ameaças após publicar em seu perfil pessoal do Facebook uma charge de 2012, que faz alusão à participação de policiais militares na chacina da Grande São Paulo.

Charge PM


Alves, que também é coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos em São Paulo, conta que as ameaças começaram após a Polícia Militar divulgar, nas redes sociais da corporação, uma nota contrária a ele. A nota divulgada pela comunicação social da PM paulista contém um print do perfil de Alves, com sua foto e nome completo.

Em entrevista à Ponte Jornalismo, o advogado disse que a página "rapidamente passou a receber dezenas de comentários". "Alguns ameaçavam minha integridade, outras me ofendiam com xingamentos e outras me ameaçavam de processos e representações na OAB. A maioria dos autores das mensagens, pelos seus perfis no Facebook, possivelmente eram policiais militares", disse. A Polícia Militar ainda não se manifestou sobre o caso.

Nota PM


Até o momento, a Corregedoria da Polícia Militar investiga 19 suspeitos de envolvimento nos assassinatos. Dezoito deles são policiais militares.

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