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Alckmin pagou parte da campanha de Cristovam Buarque, diz ex-assessor

por Redação — publicado 03/05/2016 13h55 Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Luiz Fernando Emediato acusa senador de receber dinheiro em troca de apoio ao tucano na eleição de 2006
Waldemir Barreto / Agência Senado
Cristovam Buarque

Senador do PDT rebateu acusações e nega ter usado caixa 2 em 2006

No último dia 1º, Luiz Fernando Emediato, ex-coordenador da campanha do senador Cristovam Buarque à Presidência em 2006, usou sua página no Facebook para acusar o hoje senador pelo PPS-DF de receber dinheiro do PSDB em troca de apoio a Geraldo Alckmin no segundo turno daquele pleito. 

No texto O drama de Cristovam Buarque, Emediato afirma que “premido pelas circunstâncias - a necessidade de pagar seus marqueteiros", Cristovam "acabou aceitando dinheiro de caixa 2" para a campanha presidencial, feita então pelo PDT.

"No final, [Cristovam] também aceitou que parte da campanha fosse paga, irregularmente, pelo PSDB de Geraldo Alckmin, em troca de apoio no segundo turno. Na política brasileira, infelizmente, ninguém é santo.”

Após as acusações, Cristovam Buarque declarou ao site Congresso em Foco que vai sugerir à Justiça Eleitoral que reabra a análise da prestação de suas contas, aprovadas na ocasião. E acusou Emediato de irregularidades.

“A Justiça deveria reabrir todas as prestações de contas de candidatos assessorados por Emediato, ele deve saber de muita coisa e poderia até fazer uma delação premiada”, disse o senador.

Buarque disse ainda que Emediato foi editor de vários de seus livros e confirma a sua participação na campanha, mas garante que o jornalista não foi o coordenador geral. Cristovam nega caixa 2 e o recebimento de dinheiro do PSDB para apoiar o partido no segundo turno.

Emediato, então, voltou a usar o Facebook, na noite de segunda-feira 2, para fazer uma tréplica ao senador. No texto, desta vez chamado de O drama de Cristovam Buarque - 2, Emediato afirma que “Cristovam deve ter enlouquecido” ao sugerir que a Justiça reabra todas as prestações de contas de candidatos assessorados por ele.

“Eu não assessoro mais nenhum candidato desde que fiz a campanha dele, há 10 anos. Já não assessorava naquela época, aliás. Eu edito livros. E delação premiada quem faz é criminoso, para atenuar sua pena”, defendeu-se Emediato.

Ainda em seu primeiro texto, Emediato afirma ter coordenado a campanha de 2006 de graça, “por pura amizade e convicção.”

Emediato já foi assessor da Força Sindical, a central dirigida pelo deputado Paulo Pereira da Silva (hoje no Solidariedade, mas que foi colega de Cristovam Buarque no PDT), e presidente do Conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Além de afirmar ter trabalhado de graça como coordenador na campanha do senador ao Planalto, chegou a doar “alguns trocados, mas não foi pelo caixa 2”.

No segundo texto, Emediato diz que por ter trabalhado de graça não foi pago com os recursos de caixa 2 que Buarque teria recebido. “Não cometi crime algum. Caso a Justiça queira saber dessa história, quem poderia fazer delação premiada seria ele, que usou o dinheiro em seu benefício, e não eu.”

Sobre a aprovação das contas de campanha pela Justiça Eleitoral, Emediato diz que Buarque “só declarou, como qualquer um, o que recebeu legalmente.”

Impeachment

A troca de farpas entre senador e ex-coordenador de campanha tem origem na posição pró-impeachment anunciada por Buarque. Emediato inicia sua primeira mensagem dizendo que Cristovam Buarque está sendo hostilizado e até abandonado por parte dos seus eleitores porque anunciou que vai votar pela abertura do processo de impeachment enquanto reflete se vai apoiar ou não o afastamento da presidente no julgamento final.

Já o senador afirma ter recebido mensagens de Emediato com o objetivo de convencê-lo a se manifestar contra o impeachment.

Ainda em seu primeiro texto Emediato diz, sobre a dúvida de Buarque, que o senador “é assim, mesmo, confuso. É também muito vaidoso, meio ególatra e carrega o enorme ressentimento de ter sido demitido por Lula – pelo telefone – do cargo de ministro da Educação”, alfineta. “Na minha opinião, como Cristovam está em dúvida, ele deveria se abster em ambas as votações.”