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A aliança entre Cunha e Temer se firma

por Redação — publicado 09/12/2015 16h31, última modificação 10/12/2015 13h15
Vice respalda votação secreta suspensa pelo STF e presidente da Câmara ajuda a derrubar líder do PMDB que se opunha a Temer
Antonio Cruz / Agência Brasil
Michel Temer e Eduardo Cunha

Michel Temer e Eduardo Cunha na Câmara: sintonizados

A aparente aliança do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi reforçada nesta quarta-feira 9, dia em que a dupla fez afagos públicos recíprocos em meio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Juntos, Cunha e Temer parecem engajados em uma tentativa de dar legitimidade ao processo de impeachment e tirar do caminho quem pode barrá-lo.

Pela manhã, o deputado Leonardo Quintão (MG) se tornou o novo líder do PMDB na Câmara, em substituição a Leonardo Picciani (RJ). Quintão conseguiu as assinaturas de 35 dos 66 parlamentares da sigla, número suficiente para destituir o carioca, que era um dos bastiões de apoio a Dilma Rousseff no PMDB e na Câmara. 

O nome de Picciani ganhou evidência nesta semana após o vazamento da carta em que Temer revelou sua mágoa Dilma. Um dos motivos de chateação do vice era o fato de Dilma ter nomeado dois ministros indicados por Picciani, em detrimento de pessoas que ele queria nos cargos, e do deputado Edinho Araújo, ligado a Temer. 

Eduardo Cunha foi um dos parlamentares que assinou o pedido para trocar Picciani por Quintão e disse que o fez como "desagravo" a Michel Temer.

No período da tarde, veio a retribuição de Temer ao gesto de Cunha. Em sua primeira fala pública desde o aceite do pedido de impeachment, o vice-presidente disse considerar legítima a votação secreta realizada na terça-feira 8 pela Câmara para escolher a Comissão Especial do Impeachment.

Sem previsão na Constituição, na legislação brasileira ou no Regimento Interno da Câmara, a votação secreta foi suspensa pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. Para Temer, isso é sinal da "normalidade democrática extraordinária" vivida pelo País atualmente.

"A Câmara dos Deputados ontem tomou uma deliberação, no exercício legítimo da sua competência, e posteriormente, em face de medida judicial, o Supremo suspendeu temporariamente essa medida, e preliminarmente para o exame posterior pelo plenário", disse Temer.

Se para Temer a votação é sinal da "plena democracia", para o Planalto trata-se de um sinal preocupante de sua pouca força na Câmara. Em seguida à declaração pró-Cunha, Temer negou que vá deixar o governo. Na noite desta quarta, ele e Dilma se encontram. Talvez seja o momento de esclarecer sua ambiguidade, ou de romper de vez a tensionada parceria.