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Política

Operação Lava Jato

33ª etapa da Lava Jato mira Queiroz Galvão e cartel das empreiteiras

por Redação — publicado 02/08/2016 09h45, última modificação 02/08/2016 12h26
Ação investiga participação de construtora em fraude de contratos da Petrobras, pagamento sistemático de propinas e interferência na CPI em 2009
Rovena Rosa/ Agência Brasil

A Polícia Federal mira a empreiteira Queiroz Galvão na 33ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na terça-feira 2. Batizada de "Resta Um", a ação investiga práticas de corrupção, formação de cartel para fraudar licitações da Petrobras e tentativa de interferência na CPI da Petrobras, em 2009. 

Ao menos 150 policiais federais estão mobilizados para cumprir 23 mandados de busca, dois de prisão preventiva, um de prisão temporária e seis de condução coercitiva em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Minas Gerais.

Os alvos são dirigentes e funcionários da Queiroz Galvão e do consórcio Quip S/A. Segundo a Polícia Federal, os executivos da empreiteira são investigados pela "prática sistemática" de pagamentos indevidos a diretores e funcionários da Petrobras.

Os executivos pagaram, de acordo com a PF, valores indevidos a altos funcionários das diretorias de Serviços e de Abastecimento. Investiga-se também "o repasse de valores a agremiações políticas travestidos de doações oficiais através de operadores", afirma a PF.

Além do suposto esquema de pagamento de propinas, as investigações trazem indícios da criação de um cartel de empreiteiras, da qual a Queiroz Galvão faria parte, responsável por realizar ajustes para fraudar licitações da Petrobras. Com isso, o cartel gerou prejuízos bilionários para a estatal, ao mesmo tempo em que multiplicava os lucros das empresas privadas envolvidas no esquema. 

As obras investigadas neste momento englobam contratos no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, na Refinaria Abreu e Lima, Refinaria Vale do Paraíba, Refinaria Landulpho Alves e na Refinaria Duque de Caxias.

Com o terceiro maior volume de contratos investigados no âmbito da Lava Jato, a Queiroz Galvão já teve seu nome envolvido em outras investigações de esquemas de corrupção, como os casos Monte Carlo, Castelo de Areia e Navalha. Em entrevista concedida na manhã desta terça-feira em Curitiba, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que a construtora representa "todos os pecados, todas as espécies de crime" da Lava Jato.

O ex-presidente da construtora Ildefonso Colares e o ex-diretor Othon Zanoide foram presos preventivamente no Rio de Janeiro. Eles já tinham sido detidos pela Lava Jato em 2014, mas foram soltos após decisão da Justiça. Também há um mandado de prisão temporária contra Marcos Pereira Reis, executivo da Quip S/A, que está no exterior.

CPI da Petrobras

Outro foco da investigação está em interferências na CPI da Petrobras no Senado, que investigava irregularidades na estatal em 2009. Segundo a Polícia Federal, há indícios concretos do pagamento de propina por executivos da Queiroz Galvão com o objetivo de obstruir os trabalhos da comissão.

O ex-executivos da construtora são suspeitos de pagar R$ 10 milhões ao ex-presidente nacional do PSDB em 2009, Sérgio Guerra, para barrar as investigações da CPI. Sérgio Guerra morreu em março de 2014.

Além do PSDB, o PT e o PP estão envolvidos nos fatos investigados por esta fase da Lava Jato. "Isso nos mostra que o problema da corrupção não é um problema partidário, é um problema estrutural da política brasileira", disse o procurador Lima.

Questionada sobre a possibilidade de que esta nova fase da operação represente o início das investigações contra um novo partido, o PSDB, a delegada Renata da Silva Rodrigues disse que a apuração quanto à conduta dos partidos cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF), por conta do foro privilegiado. "Qualquer conduta que envolva parlamentares não é objeto da nossa investigação", disse a delgada.

Sergio-Guerra
O ex-presidente nacional do PSDB Sergio Guerra, que morreu em 2014