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Sociedade

Bruno. 18 anos. Gay. Espancado até morrer, em São Paulo

por Patrícia Cornils — publicado 27/01/2014 11h20, última modificação 27/01/2014 11h22
Ontem, no centro da cidade, mais um caso de violência contra homossexuais. Não, desta vez não foi suicídio
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"Faz um ou dois anos, sua mãe me disse: 'Bruno me contou que é gay'. 'E você, Maria?' 'Amo meu filho. Só tenho medo que ele sofra alguma violência.' Sábado, meia-noite, Bruno e amigos foram beber na Augusta"

Por Patrícia Cornils | Imagem: Fernando Botero

Ele tinha 18 anos. Acabou o Ensino Médio no ano passado. Fez curso técnico, de administração. Faz duas semanas começou a trabalhar no consultório de uma dentista. Ela ficou impressionada com a inteligência do rapaz. Maria me contava sempre, falava das notas dele. Eram muito boas. Tinha passado no vestibular da Unip, queria ser arquiteto. E a mãe não entendia direito, porque “ninguém lá na vizinhança nunca quis ser arquiteto”. Ele precisava trabalhar porque Maria não ia dar conta de pagar a faculdade sozinha. Maria trabalha em minha casa, uma vez por semana, há mais de dez anos. Ela não é somente mãe do Bruno — eram amigos, se falavam três, quatro vezes por dia no celular. Faz um ou dois anos, me disse: “Pati, Bruno me contou que é gay”. “E você, Maria?” “Amo meu filho. Só tenho medo que ele sofra alguma violência.” Ontem [sábado], meia-noite, Bruno e amigos foram beber na Augusta. Cinco e meia da manhã, na Rua Herculano de Freitas, ele e três amigos foram abordados por seis ou sete pessoas. Gritaram que era assalto. Os dois amigos correram. Bruno não. Pegaram o celular dele (velho), tiraram os tênis dele (All Star, igualmente velhos). E bateram no Bruno. Na cabeça do Bruno. Até matá-lo. IML: “Traumatismo encéfalo craniano. Instrumento contundente”. Boletim de Ocorrência 737/2014, 78o. DP: "Roubo. Artigo 157. Parágrafo 3o. se da violência resulta morte"