Cultura

Festival de Cannes

Na reta final

por Orlando Margarido — publicado 23/05/2013 13h17, última modificação 23/05/2013 14h17
Nebraska, o acerto de contas entre e pai e filho de Alexander Payne, pode pesar nesses últimos dias do festival
Divulgação
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Nebraska, de Alexander Payne

Cannes -- Faltam apenas mais quatro concorrentes a Palma de Ouro e não se pode dizer que sejam dispensáveis. Michael Kohlhaas sera exibido daqui a pouco e tem boas referências, inclusive por ser uma segunda adaptação ao cinema deste drama de época acerca da injustiça. E ainda temos Polanski, James Gray, Jarmusch... De uma certa forma, Alexander Payne está aliado ao cinema de Jarmusch, no estilo independente, concentrado nos personagens, numa América de pessoas comuns. Ou nem que seja pela fotografia em preto-e-branco. Nebraska traz esses recursos para dar conta de uma relação entre pai e filho estabelecida a partir de um equívoco.

O mecânico aposentado interpretado pelo ótimo Bruce Dern, o pai de Laura Dern, acredita ter ganhado um milhão de dólares quando uma publicidade de assinatura de revista chega pelo correio. Wilton está velho. Depende a todo o momento do olhar de um dos filhos para não criar problemas. Ele insiste em buscar o dinheiro que não existe. O filho o coloca no carro e vão para a estrada. Seria um road-movie se ambos não parassem na cidade onde Wilton nasceu. Ali reveem os amigos dele e especialmente a família. Estes criam situações ao saber do dinheiro, pedem quantias que acham devidas. Velhas amarguras e ressentimentos veem a tona. Mas a viagem é para um entendimento entre pai e filho, que eram distantes, não se tratavam, e agora encontram a condição. É um bonito filme, daquela melancholia e humor que alcança um bom equilíbrio. Não apostaria ter maior força no contexto da premiação mas vejo Spielberg simpatico a esse Estados Unidos interiorano, de tipos excêntricos um tanto, que ele conhece tão bem.

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