Cultura

Berlinale

Na metade

por Orlando Margarido — publicado 10/02/2014 13h33
Chegamos ao meio da competição e por enquanto não veio o grande filme

Berlim -- Só uma rápida passada pelo blog antes de partir para a sessão de Gianni Amelio, que trouxe para o Panorama um documentário sobre o universo gay na Itália, ou algo próximo disso. Depois volto para comentar. Queria dizer que hoje chegamos a primeira metade da competição da Berlinale. Há uma boa média, especialmente entre os alemães, mas ainda não apareceu um filme em que podemos apostar. No ano passado, e costuma ser assim, Child's Pose e Gloria estavam reservados para a segunda leva. Então é esperar. A manhã nas sessões de imprensa não animou em nada esse pique. O primeiro concorrente chinês, e são quatro, é uma das coisas mais estranhas que vi recentemente. Estranheza não daquelas que nos desconcerta, nos faz refletir, pensar. Chama-se Blind Massage, e é sobre um grupo de cegos que sobrevive no ofício de massagem. Acompanha-se seu cotidiano, os relacionamentos amorosos problemáticos, a dificuldade em tocar a vida sem a visão. O problema é o registro melodramático, sem sutilezas, um formato convencional e por vezes cafona. Em seguida, veio o que a Escandinávia costuma fazer com desenvoltura, um drama de humor negro, excêntrico. Desta vez é um filme norueguês,In Order of Disappearance, em que Stelan Skarsgard é o limpador de neve que recebe a notícia da morte do filho por overdose. Não se conforma e vai investigar por conta, virando um matador em série. Há um que de absurdo e violência, a la Tarantino se quiserem, mas com a peculiar feição dos nórdicos. A paisagem é arrebatadora e surreal, com neve para todo lado. Mas é um filme divertido na ação, desnecessário para o bloco competitivo.