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Cultura

Berlinale

Mais prêmios para Ribeiro e seu time

por Orlando Margarido — publicado 15/02/2014 15h03
Eles vão voltar para casa também com o Teddy Bear e um premio oficial do público

Berlim -- E não é que Daniel Ribeiro e seus três atores principais presentes aqui em Berlim vão continuar na comemoração? Ontem foi a Fipresci a considerar Hoje Eu Quero  Voltar  Sozinho o melhor filme do Panorama, seção paralela a competição oficial. Agora o filme também venceu o Teddy Bear, o prêmio gay, e ficou em segundo lugar na votação do púbico que acompanhou o Panorama, atrás de Difret, da Etiópia. O longa de estréia fecha assim o ciclo das tres principais audiëncias do festival, e o mais importante, não fica circunscrito a um olhar apenas determinado pela via do tema da homossexualidade. Agrada, e ponto. Um feito para um primeiro filme não?

Daqui a pouco, as 19h, 16h ai no Brasil, tem início a premiação oficial, com a entrega dos Ursos. Desta vez o páreo é duro pelas razões inversas. A seleção foi ruim, e não há o grande filme que caia com louvor no modelo de Berlim, festival mais politico, preocupado com um retrato de sociedades, com o realismo. Com isso, Linklater e seu Boyhood saiu na frente, e não que o filme seja ruim. Apenas se encaixa num padrão mais alternativo de cinema americano. Para mim, uns quatro filmes estariam numa estatura similar para o Urso de Ouro, Macondo, La Tercera Orilla, Jack, The Stations of Cross. Incluiria também 71, um dos primeiros a ser exibido, mas agora já um tanto perdido na memória, melhor conceito talvez para julgar a persistência de um filme. Aliás, entrevistei hoje de manhã, a diretora de Macondo, de origem iraniana, que viveu alguns anos nos Estados Unidos e está baseada em Viena. Esse acumulo de culturas faz toda a diferença em um filme sobre imigração. Ela esclareceu que Macondo, o conjunto de prédios popular na periferia da capital austríaca, ganhou esse nome quando por lá passaram imigrantes chilenos, em referencia ao livro de García Márquez. O escritor é colombiano, mas a cidade por ele criada em Cem Anos de Solidão se tornou, claro, símbolo de um sonho de realização. A conversa foi ótima.

O dia mais livre permitiu também ver filmes fora do concurso oficial e optei por Triptique, ou Tríptico, que o canadense Robert Lepage dirige em parceria com o diretor português Pedro Pires. Lepage é também encenador de vanguarda, e esse cuidado visual está todo no filme, num clima frio e perturbador que marca seu cinema. Filma uma operação de cérebro explicitamente. Não são cenas fáceis. A paciente é uma cantora de jazz diagnosticada com um tumor que lhe vitimará a voz. O médico que lhe dá a notícia também tem seu problema. É neurocirurgião, mas tem um tremor na mão que procura sanar com bebida. Ele se aproxima da paciente, os dois passam a noite juntos, e resolvem se casar. A cantora vai a casa da irmã, recém-saida de uma instituição onde trata a esquizofrenia, para contar-lhe do casamento. A irmã, poeta e dona de uma livraria, surta por achar que o médico está ali para te-la como cobaia. O filme são as histórias, pesadissimas, desse trio ligado pela doença, não pela felicidade. Drama sombrio, mas Lepage se abre por vezes ao humor e a emoção quando a cantora decide dublar seu pai em antigos registros super-8 de família par recuperar a memoria de sua voz. Me pergunto se esses filmes mais duros, mas também reflexivos nao poderiam estar na competição. Logo mais volto para revelar a opção menos pior do júri oficial. Até.