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Cultura

Cannes - 1º dia

Cannes – E o festival começou!

por Orlando Margarido — publicado 15/05/2013 14h36, última modificação 17/05/2013 13h10
Valerie Hache / AFP
Leonardo di Caprio

Leonardo di Caprio chega para a estreia de "O Grande Gatsby" em Cannes, nesta terça-feira 15. Ele é a estrela do filme

É o meu sétimo ano na Croisette e não me lembro de uma sessão de abertura tão fria e desinteressante quanto a que tivemos hoje nesta 66ª edição. Mas como, se é Baz Luhrmann? Vocês já sabem, claro, que ele se arvorou a uma nova versão de O Grande Gatsby, o clássico F. Scott Fitzgerald já filmado em 1974 por Jack Clayton. Pode não ser o melhor dos filmes, mas está na memória o charme, beleza, enfim apelo, do casal central Robert Redford e Mia Farrow. Isso é só um tanto do que falta a essa revisão, em parte por um repetitivo Leonardo di Caprio, agora no papel de Jay Gatsby, e muito mais pela pouco atraente Daisy Buchanan de Carrey Mulligan. Afinal, trata-se de um milionário de novo dinheiro nos anos 20 que constrói um sonho opulento de vida para reconquistar a mulher que na sua idealização ainda pensa existir. Não consegui ver tamanha impressão em Mulligan.

Não deixa de ser um fator importante essa falta de fascínio. Mas aí temos, como em todo o cinema de Luhrmann, a música e aquele excesso de mise-en-scène que pode ter empatia como em Moulin Rouge e Romeu e Julieta, mas aqui retira o filme de um contexto próprio de ascensão e queda de um herói para dar-lhe um tipo hedonista. Sim, os tempos loucos dos anos 20 permitiam os excessos, e Luhrmann até faz sua crítica ao capital selvagem e destrutivo da dignidade humana que alimentava com luxo e riqueza aquele mundo dos ricos, na visão dos trabalhadores miseráveis. Mas como quase tudo ali é puro falseamento a aproximar dois universos díspares, simbólico do passado pobre de Gatsby.

Enfim, o festival só está começando. O Gatsby de Luhrmann passou fora de concurso e a competição começa daqui a pouco com o representante mexicano Heli, de Amat Escalante. Depois a programação prossegue com uma vitrine que só mesmo Cannes costuma promover. Filmes de François Ozon, Jia Zhangke, Asghar Farhadi (do premiado A Separação), Kore-Eda, Despleschin, os irmãos Coen, Valeria Bruni-Tedeschi, atriz em seu terceiro longa na direção, Mahamat-Saleh Haroun, Nicolas Winding Refn, Abdellatif Kechiche, Alexander Payne, James Gray, Polanski... Enfim, tudo isso e mais as paralelas cheias de atrações. Acompanhem por aqui a cobertura, até!

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