Cultura

Brasilia 33%

por Orlando Margarido — publicado 17/09/2013 20h27, última modificação 19/09/2013 17h18
Começa mais um Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, evento tradicional que nem todos os diretores apostam

Mal terminou Veneza e ja  estou na capital do Pais para mais uma edicao do Festival de Brasilia, como e chamado informalmente. Bem verdade, entre um e outro houve uma semana que aproveitei para acompanhar o casamento de um amigo na Italia, e claro, espairecer um pouco. Antes que me chamem de boa-vida, adianto que cumpri um programa que desde o ano passado fiquei bastante curioso. Descobri pelas fotos polaroid de Tarkovsky expostas durante sua retrospectiva na Mostra de Sao Paulo do ano passado o vilarejo em que ele filmou Nostalgia. Trata-se de Bagno Vignoni, na Toscana, que como voces podem imaginar se trata de um lugar para banhos, uma cidade termal, muito pequena. La esta no centrinho a "vasca", como dizem os italianos, uma grande piscina de pedra com agua quente, antiquissima, que hoje nao pode ser mais utilizada. Mas e bonita. Em torno surgiram hoteis modernos onde se pode utilizar as termas, pagando, claro. No tempo de Nostalgia, como se ve no filme, a piscina publica era liberada a todos. Coisas do tempo moderno. Nao sei bem porque a proibicao, talvez esteja contaminada, mas e dificil imaginar a demanda do turismo de hoje cabendo ali dentro. Escolhi um hotel ao acaso, logo em frente, e eis que ao comentar minha razao da visita fui brindado pelo proprietario com o quarto em que o diretor se hospedou, uma emocao! Para estar completo, so faltou mesmo o vapor que temos no filmes, mas nao agora no verao. Quem sabe um dia volto no inverno. Depois tento publicar aqui as fotos que fiz.

Bem, e Brasilia hein? Alem da secura do ar, que deixa a umidade em 33% (para voces terem uma ideia, Sao Paulo esta com 78 devido as chuvas), a discussao do momento e a decisao do diretor Vicente Ferraz de retirar da selecao principal do festival, ou seja, da /competicao, seu filme Estrada 47, depois deste, claro, ter sido selecionado pelo juri. E o fez por preferir o Festival do Rio, que comeca logo mais dia 26, e sua badalada Premiere Brasil. Badalada, mas tambem contornada com algum excesso, no sentido que ha tantos filmes brasileiros programados ali que muitos tende a sumir no bolo geral. Nao deve ser o caso do filme de Ferraz, filmado entre Italia e Brasil, com algum jeito de grande producao. Mas e interessar refletir sobre essa tendencia de se preferir uma vitrine tao estelar como a carioca em vez do ambiente mais tradicional, politizado e respeitado de Brasilia. Vamos ver mais tarde quem perdeu. De toda forma, a selecao esta bem instrigante e heterogenea, com filmes que parecem ter forca para boas discussoes. Hoje a abertura, fora de concurso, e com Revelando Sebastiao Salgado, de Betse de Paula, afinal prata da casa, diretora que fez sua carreira por aqui. Visto o filme em Gramado, ao qual tenho restricoes, quem sabe uma segunda chance me traga novas pontos de vista. Abaixo indico os concorrentes ate a proxima terca, quando saberemos os vencendores dos Candangos. Estou em um teclado em ingles,por isso perdoem a falta de acentuacao.

--  Amor, Plastico e Barulho, de Renata Pinheiro

-- Avanti Popolo, Michael Wahrman

-- Depois da Chuva, de Claudio Marques e Marilia Hughes

-- Exilados do Vulcao, de Paula Gaitan

--  Os Pobres Diabos, de Rosemberg Cariry

-- Riocorrente, de Paulo Sacramento

-- A Arte do Renascimento, Uma Cinebiografia de Silvio Tendler, de Noilton Nunes

-- Hereros Angola, de Sergio Guerra

-- Morro dos Prazeres, de Maria Augusta Ramos

-- O Mestre e o Divino, de Tiago Campos

-- Outro Sertao, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela

-- Plano B, de Getsamane Silva