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Política

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Sob pressão, SBT barra comentários de Rachel Sheherazade

por Renan Truffi publicado 15/04/2014 17h07, última modificação 15/04/2014 17h13
Após representações na Justiça e possibilidade de punição da emissora, a âncora não vai mais emitir opiniões no telejornal
Reprodução

Pouco mais de dois meses após a apresentadora Rachel Sheherazade defender a ação de “justiceiros”, que espancaram e amarraram no poste um adolescente suspeito de furto no Rio de Janeiro, o SBT decidiu barrar os comentários de seus âncoras durante o principal telejornal da emissora. Assim, Sheherazade e o também apresentador Joseval Peixoto estão proibidos de emitir suas opiniões durante o SBT Brasil. Em comunicado divulgado na segunda-feira 14, a emissora informou que a medida tem o objetivo de “preservar” os jornalistas.

Sheherazade se tornou alvo de críticas após classificar como "legítima defesa coletiva" o ataque promovido por um grupo criminoso que espancou, amarrou e cortou parte da orelha de um jovem com golpes de capacete. Para a apresentadora, a ação dos justiceiros era “compreensível” diante da insegurança das ruas e da impotência do Estado. Ela chamou o adolescente de marginal e pediu, em tom de deboche, aos grupos em defesa de direitos humanos que estavam com "pena" do garoto para adotarem o “bandido”.

A decisão de impedir que Sheherazade opine sobre as notícias do telejornal foi definida após a pressão sobre a emissora promovida por organizações de direitos humanos, parlamentares e até mesmo o governo federal, de acordo com o site Notícias da TV, do jornalista Daniel Castro.

Além disso, parlamentares de dois partidos políticos enviaram representações ao Ministério Público Federal contra a apresentadora. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) argumentou que Sheherazade usava o espaço na emissora para fazer “apologia à tortura e ao justiçamento”. O mesmo foi feito pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Ela levou o caso ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e pediu suspensão do pagamento de verba publicitária a uma emissora. Somente em 2012, o SBT recebeu aproximadamente 153,5 milhões de reais para veicular propagandas do governo.

Janot “mostrou preocupação” em relação às denúncias porque, de acordo com ele, “incitação à violência” é crime e não pode ser justificada como liberdade de imprensa. Com isso, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que separou a denúncia em duas partes. A primeira delas, sobre os repasses de dinheiro público, está sob análise da divisão cível do MPF-SP, enquanto a outra, de cunho criminal, foi encaminhada ao Ministério Público Estadual.

A procuradora Ryanna Veras, responsável pelo caso, juntou outras quatro representações baseadas no episódio. Nestes documentos, Sheherazade é acusada de “desafiar o código de ética dos jornalistas, incitar a intolerância, e o crime contra minorias sociais”. Nos documentos há pedidos para a responsabilização da emissora e de Sheherazade por danos morais coletivos. A ideia é que o SBT fosse obrigado a exibir, em contrapropaganda, programas de promoção dos direitos humanos. Parte de todo o processo também está em análise na Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, parte da divisão cível do MPF-SP. O procurador designado para o caso deve analisar as representações na próxima semana.

Leia a nota do SBT na íntegra:

“Em razão do atual cenário criado recentemente em torno de nossa apresentadora Rachel Sheherazade, o SBT decidiu que os comentários em seus telejornais serão feitos unicamente pelo Jornalismo da emissora em forma de Editorial. Essa medida tem como objetivo preservar nossos apresentadores Rachel Sheherazade e Joseval Peixoto, que continuam no comando do SBT Brasil”.

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