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Política

Guerra de dois fronts

por Leandro Fortes — publicado 13/06/2013 16h48, última modificação 13/06/2013 17h21

Será muito, mas muito melhor do que a Copa do Mundo com essa seleção de sacis, se as eleições de 2014 tiveram Lula como candidato ao governo de São Paulo. Não apenas pela perspectiva eleitoral em si, baseada na possibilidade da tomada do principal bunker tucano pelo presidente mais popular e bem sucedido que o Brasil já teve.

Será uma curiosa batalha na qual a mídia nacional, órfã das diabruras de José Serra, terá que batalhar em dois fronts duríssimos. Em um, nacional, bombardear Dilma Rousseff para tentar emplacar Aécio Neves, o profeta da inflação que acaba de colocar a carapuça do Velho do Restelo. No outro, paulista, temperar a personalidade insossa de Geraldo Alckmin e moldá-lo para a briga com Lula. Não vai ser fácil.

Primeiro, porque o estoque de munição está exaurido. A tentativa de envolver Lula no "mensalão" deu chabu depois que Marcos Valério percebeu que era tarde demais para se livrar da cadeia. O próprio "mensalão" já deu o que tinha que dar, e a biografia não-autorizada de José Dirceu preparada pela Veja não vai ser capaz de reviver os bons tempos em que grampos sem áudio provocavam crises institucionais reverberadas no Jornal Nacional.

A busca e fabricação de escândalos também será dificultada por falta de pessoal: os jornalões estão falindo e demitindo em grande escala. Na Abril, apesar do abraço gostoso dos funcionários ao prédio da editora, as perspectivas seguem o mesmo caminho. Resta Ali Kamel e o Jornal Nacional, mas estes, de tão previsíveis, quase não servem para mais nada.

Mais importante, porém, será o significado da candidatura de Lula para o PT. Talvez a coragem do ex-presidente de enfrentar uma campanha dura, na qual todos os seus adversários irão se unir para destruí-lo, revigore a alma do partido, hoje rendido e acovardado pelas circunstâncias do poder.

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