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Política

Operação Lava Jato

MPF denuncia presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez

por Henrique Beirangê publicado 24/07/2015 20h50, última modificação 24/07/2015 20h58
Executivos são acusados de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa
Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Juiz Sérgio Moro

Caso aceite os argumentos da Procuradoria, juiz Sérgio Moro transformará presidentes das construtoras em réus

O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, foram denunciados hoje junto de mais 20 pessoas pelo Ministério Público Federal pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

As empresas são as duas maiores da construção no país. A denúncia será enviada ao juiz Sérgio Moro. Caso ele aceite os argumentos da Procuradoria, os acusados viram réus.

De acordo com a apuração, os executivos das duas empresas em conluio com ex-funcionários da Petrobras integraram uma quadrilha com a finalidade de fraudar licitações da estatal. Para esconder as movimentações, eles teriam usado doleiros para camuflar as operações ilegais por meio de contratos de consultoria de fachada ou envio de recursos para contas no exterior.

Odebrecht e Azevedo estão presos preventivamente junto de outros seis executivos das construtoras desde 19 de junho.

De acordo com o Ministério Público Federal, só em operações com a Braskem – empresa do grupo Odebrecht - a Petrobras teria sofrido um prejuízo de 6 bilhões de reais. A Procuradoria afirma que a estatal venderia Nafta – insumo para a produção de plástico – a preços abaixo de mercado.

A apuração indica que o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa teria conseguido que a Petrobras cobrasse 92% do valor de mercado do produto para a Braskem.

Em contrapartida, a subsidiária da Odebrecht pagava 5 milhões de dólares por ano ao ex-diretor e ao ex-deputado José Janene, falecido em 2010, e então líder do PP.

Durante a apresentação da denúncia, os procuradores apresentaram cópias de documentos de aberturas de contas no exterior que pertenceriam a Odebrecht. Segundo a investigação, elas seriam usadas para pagar propina a ex-diretores da estatal como Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró, Jorge Zelada e Renato Duque.

A nova prova é considerada pelos investigadores como o elo que faltava para mostrar o envolvimento da construtora, que sempre negou participação no esquema, com os desvios de recursos da estatal.

A expectativa dos procuradores é que os executivos presos, entre eles o presidente da companhia, Marcelo Odebrecht, se sintam pressionados a delatar o esquema. Com as novas evidências, o juiz Sérgio Moro renovou a prisão dos executivos da Odebrecht.

A defesa da Odebrecht contesta as provas apresentadas. Para a advogada Dora Cavalcanti, as prisões são ilegais: “Todo esse arcabouço de que eles  já conheciam de antemão, nada disso contribui ou justifica uma prisão ilegal, que merece ser revogada. Todas essas pessoas foram presas em suas casas, exercendo atividade normal”.

A acusação contra a Andrade Gutierrez escora-se principalmente no relacionamento com o lobista Mário Góes. Planilhas apreendidas mostram que a construtora realizou pagamentos milionários à Rio Marine, empresa de Góes, apontado como intermediador do pagamento de propina de várias empresas.

Entre julho de 2007 e novembro de 2009, foram repassadas 4,9 milhões de reais ao lobista. A empresa divulgou nota dizendo que “ a denúncia não traz novos elementos e que os temas já foram esclarecidos no inquérito”.