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Política

Operação Lava Jato

MPF denuncia Bumlai e mais dez acusados

por Henrique Beirangê publicado 14/12/2015 22h47
As acusações envolvem os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção ativa e passiva
Valter Campanato/Agência Brasil
Bumlai

Bumlai está preso em Curitiba desde 24 de novembro e negou participação no esquema

O Ministério Público Federal denunciou, dentro da Operação Lava Jato, o pecuarista José Carlos Bumlai, apontado como “amigo de Lula”, e mais dez pessoas pela fraude na contratação da empresa Schaim Engenharia como operadora do Navio Vitória 10.000 pela Petrobras.

As acusações envolvem os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção ativa e passiva. Na ação, o MPF pede o valor mínimo de reparação dos danos causados no montante de 53,5 milhões de reais. 

Em delação premiada, Salim Schahin, executivo do Banco Schahin, contou que foi procurado por Bumlai em 2004 para a obtenção de um empréstimo no valor de 12 milhões de reais. O empréstimo seria em nome do pecuarista, mas teria como destino saldar dívidas da campanha presidencial de Lula em 2002.  

Para quitar o valor, o pecuarista é acusado de ter intermediado a contratação sem licitação da empresa Schahin Engenharia para a operação do navio sonda, orçado em 1,6 bilhão de dólares. Segundo a investigação, Bumlai teria participado da negociação que favoreceu a Schahin em troca da liquidação da dívida.

Também foram denunciados os executivos do grupo Schaim Salim Taufic Schahin, Milton Taufic Schahin, Fernando Schahim; o filho de Bumlai, Mauricio de Barros Bumlai e a esposa dele, Cristiana Barbosa Dodero Bumlai.

Além deles, integram a acusação o ex-diretores da área Internacional da Petrobras Nestor Cuñat Cerveró e Jorge Luiz Zelada, o gerente da estatal Eduardo Costa Vaz Musa, o lobista Fernando Antonio Falcão Soares (Fernando Baiano) e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto 

De acordo com os promotores, entre outubro de 2006 e de janeiro de 2009 Milton, Fernando e Salim Schaim negociaram 720 mil dólares com Musa, além da quitação de dívida do PT, que já estava na casa de 48 milhões de reais, em troco de a favorecer a Schahin Engenharia nas negociações para a contratação da operação do navio-sonda. 

A negociação, dizem os procuradores, foi intermediada por Baiano e Vaccari Neto, atendendo a pedidos de Bumlai e Salim Schahin. Baiano foi responsável pela aproximação com área técnica da diretoria internacional da Petrobras e Vaccari fez os contatos políticos no PT e na Petrobras para viabilizar a contratação. 

De acordo com Salim, Bumlai teria dito a um dos executivos da construtora que o negócio seria fechado e estaria inclusive, “abençoado por Lula”. Bumlai está preso em Curitiba desde 24 de novembro e negou participação no esquema e qualquer tipo de tráfico de influência por meio do ex-presidente. 

Denunciados e crimes

  • Corrupção ativa (Art. 333 do Código Penal): Milton Taufic Schahin, Fernando Schahin e Salim Taufic Schahin
  • Corrupção passiva (Art. 317 do Código Penal): Nestor Cuñat Cerveró, Jorge Luiz Zelada, Eduardo Costa Vaz Musa, José Carlos Costa Marques Bumlai, Mauricio de Barros Bumlai, Fernando Antonio Falcão Soares, Crirtiane Barbosa Dodero Bumlai e João Vaccari Neto
  • Gestão fraudulenta (art. 4º da Lei nº 7492/96): Milton Taufic Schahin, Salim Taufic Schahin, José Carlos Costa Marques Bumlai, Cristiane Barbosa Dodero Bumlai e Mauricio de Barros Bumlai
  • Lavagem de dinheiro (Art. 1º da Lei nº 9613/98): Salim Taufic Schahin, José Carlos Costa Marques Bumlai, Cristiane Barbosa Dodero Bumlai, Mauricio de Barros Bumlai