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Política

Corrupção

Merendão tucano usou "whatsapp russo" para evitar grampo

O Telegram, criado por russos, era considerado “mais seguro nesse ramo" pelos investigados
por Henrique Beirangê publicado 24/02/2016 17h18, última modificação 24/02/2016 17h25
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Voorwald e Jardim (à direita) se unvem a Aparecido e Nogueira. O escândalo se aproxima de Alckmin

Integrantes da quadrilha que desviava recursos da merenda escolar no estado de São Paulo fizeram uso de aplicativos de celular criados por russos para dificultar o rastreamento de ligações pelas autoridades. 

Em uma das chamadas interceptadas durante as investigações, um vendedor da cooperativa Coaf, de Bebedouro, interior de São Paulo, foi flagrado conversando com uma pessoa identificada como "Carioca" a respeito do direcionamento de um edital de merenda escolar.

Durante a conversa, o vendedor Carlos Luciano (Carlinhos) diz que a compra deverá ser feita por meio de chamada pública, um modelo simplificado de contratação pela administração pública que dispensa licitação.

Carioca passa seu email para o vendedor para que sejam encaminhados documentos que auxiliem no direcionamento da compra em favor da cooperativa envolvida com as fraudes. Preocupados com a possibilidade de serem grampeados, o vendedor diz que Carioca precisa a passar a usar o aplicativo Telegram, criado por russos e hoje baseado na Alemanha.

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Segundo Carlinhos, o software é “mais seguro nesse ramo que trabalham”. Ele diz que o servidor por ser europeu não precisa prestar informações para as autoridades brasileiras. O vendedor afirma que outros dois integrantes da quadrilha já estariam usando o programa. No entanto, a precaução não alcançou o objetivo. Pelo menos 100 horas de chamadas foram rastreadas pelos investigadores.

O vendedor foi um dos oito integrantes da cooperativa Coaf presos no final do mês passado acusados de intermediar o pagamento de propinas para políticos. O esquema teria desviado pelo menos 25 milhões de reais. Ele e os outros sete integrantes já foram soltos.

Nomes de políticos próximos ao governador Geraldo Alckmin foram citados em grampos ou em delações dos investigados. Entre eles: o secretário da Casa Civil do, Edson Aparecido; da Agricultura, Arnaldo Jardim; de Logística e Transportes, Duarte Nogueira e do ex-secretário de Educação Herman Voorwald do governo Alckmin. Também já foi alvo de quebra de sigilo o presidente da Assembleia Legislativa e promotor licenciado Fernando Capez.

De acordo com a Polícia Federal, a estratégia do bando não faria nenhuma diferença. Um delegado da PF ouvido pela Carta Capital informou que a dificuldade tecnológica de interceptação desse tipo de aplicativo é a mesma, independente da origem do servidor. 

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