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Política

Operação Lava Jato

Lobista doou a igreja evangélica como parte de propina para Cunha

por Henrique Beirangê publicado 17/11/2015 05h08
Fernando Baiano contou que Eduardo Cunha chegou a enviar um email para ele com as parcelas de propinas devidas por conta dos contratos com a Petrobras
José Cruz/Agência Brasil
Em programa religioso, Cunha gostava de dizer: O povo merece respeito

Em programa religioso, Cunha gostava de dizer: O povo merece respeito

Religioso e em contato permanente com os fiéis, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sempre se preocupou em estar próximo com sua base eleitoral.

Em depoimento dado a Força-Tarefa da Operação Lava Jato, o lobista Fernando Baiano conta que se recorda de ter acompanhado gravações do deputado a um programa de rádio evangélico. O lobista conta que Cunha se dirigia aos ouvintes com “meus amados” e sempre terminava as gravações com o bordão “o povo merece respeito”.

Baiano confirmou que o lobista Júlio Camargo doou 250 mil reais a uma Igreja Evangélica Assembleia como parte do pagamento de propinas devidas de dois contratos de navios sondas da Petrobras. Os contratos somaram 1,2 bilhão de reais e teriam gerado 80 milhões de dólares em propinas aos lobistas e a Cunha.

Segundo Baiano, Cunha recebeu cerca de seis milhões de reais e ele ficou com outros quatro milhões. Os pagamentos ao deputado eram feitos em espécie e entregues a um funcionário de seu escritório no Rio de Janeiro, conhecido como Altair. Uma das entregas chegou a ser feito em um condomínio onde o deputado mora.

O lobista contou ainda que Cunha chegou a enviar um email para ele com as parcelas de propinas devidas por Camargo por conta dos contratos com a Petrobras. Baiano disse aos investigadores que acredita ter a cópia da mensagem e ficou de localizá-lo. O lobista deve ser solto depois de amanhã, como prevê seu acordo de colaboração premiada.

Na denúncia apresentada ao STF, o procurador-geral, Rodrigo Janot, afirma que  “é notória a vinculação de Eduardo Cunha com a referida igreja. O diretor da referida igreja perante a Receita Federal é Samuel Cássio Ferreira, irmão de Abner Ferreira, pastor da Igreja Assembleia de Deus de Madureira, no Rio de Janeiro, que o denunciado frequenta. Foi nela inclusive que Eduardo Cunha celebrou a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, conforme amplamente divulgado pela imprensa”.

Após a investigação na Suíça ter identificado contas em nome do parlamentar e de familiares, o deputado disse que o dinheiro tem origem em seus negócios na área de processamento de carnes, e não em propinas.