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Política

Operação Lava Jato

José Carlos Bumlai, o alvo na 21ª fase da Lava Jato

por Henrique Beirangê publicado 24/11/2015 13h40, última modificação 24/11/2015 18h13
Pecuarista é acusado de favorecer empresa em troca de quitação de dívida do PT; Não há provas contra Lula, diz Sergio Moro
Marcelo Camargo / ABr
Polícia Federal

PF prendeu Bumlai, que usaria o nome de Lula para fechar negócio que teria favorecido o PT

O pecuarista José Carlos Bumlai, apontado como amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi preso na manhã desta terça-feira 24 na 21ª fase da Operação Lava Jato. Bumlai foi detido em Brasília, onde iria prestar depoimento na CPI do BNDES. O pecuarista é acusado pelo Ministério Público Federal de ter intermediado a contratação sem licitação da empresa Schahin Engenharia para a operação do navio sonda Vitória 10.000, orçado em 1,6 bilhão de dólares.

Segundo a investigação, Bumlai teria participado da negociação que favoreceu a Schahin em troca da liquidação de uma dívida do PT com um banco pertencente à construtora.

Em delação premiada, Salim Schahin, executivo do Banco Schahin, contou que foi procurado por Bumlai em 2004 para a obtenção de um empréstimo no valor de 12 milhões de reais. O empréstimo seria em nome do pecuarista, mas teria como destino saldar dívidas da campanha presidencial de Lula em 2002. 

Em despacho, o juiz Sergio Moro, que autorizou a operação da PF, afirma que “não há nenhuma prova de que o ex-presidente da República estivesse de fato envolvido nesses ilícitos". Moro diz, entretanto, que "o comportamento recorrente do investigado José Carlos Bumlai levanta o natural receio de que o mesmo nome seja de alguma maneira, mas indevidamente, invocado para obstruir ou para interferir na investigação ou na instrução”.

Segundo empréstimo

Em 2005, um ano depois do primeiro empréstimo feito a Bumlai, outros 18 milhões foram emprestados a uma empresa do pecuarista, para saldar a dívida anterior. O valor também não teria sido pago pelo pecuarista.

Em 2007, conta Salim, ele teria tomado conhecimento de que a Petrobras precisaria contratar uma empresa para a operação do navio sonda e decidiu entrar em contato com o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para avaliar a possibilidade da construtora ficar com o contrato.

De acordo com Salim, Bumlai teria dito a um dos executivos da construtora que o negócio seria fechado e estaria inclusive, “abençoado por Lula”. Com a conclusão do contrato beneficiando a Schahin, o empréstimo a Bumlai foi liquidado pelo banco. Para simular o encerramento da dívida, ainda de acordo com Salim, foram simulados contratos de venda de embriões de boi das fazendas de Bumlai para fazendas da Schahin. 

A prisão de Bumlai é preventiva, ou seja, deverá ficar detido por tempo indeterminado. A operação desta terça-feira, denominada “Passe Livre” faz alusão a um possível acesso frequente que Bumlai teria ao Palácio do Planalto durante o governo Lula.

No despacho que autorizou a prisão de Bumlai, Moro afirma que “João Carlos Bumlai se insere totalmente nesse quadro, pois as provas indicam que disponibilizou seu nome e suas empresas para viabilizar de maneira fraudulenta recursos a partido politico, com todos os danos decorrentes à democracia, e, posteriormente, envolveu-se na utilização de contrato público de empresa estatal para obter vantagem indevida para si e para outrem. Além disso, presentes elementos probatórios que indicam o envolvimento dele em outros episódios criminosos ou em condutas suspeitas de lavagem de dinheiro, como pagamentos a operador de propina e de lavagem de dinheiro da Petrobras”.

De acordo com a PF 140 policiais federais e 23 auditores fiscais cumprem 25 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva – o de Bumlai - seis mandados de condução coercitiva nas cidades de São Paulo (SP), Lins(SP), Piracicaba(SP), Rio de Janeiro(RJ), Campo Grande(MS), Dourados(MS) e Brasília(DF).