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Política

Operação Lava Jato

Ex-sócio de José Serra é citado na Lava Jato

por Henrique Beirangê publicado 17/11/2015 19h05, última modificação 26/11/2015 10h39
Investigação aponta que Gregório Preciado teria recebido propina
Waldemir Barreto/Agência Senado
José Serra

Gregório Marin Preciado é casado com uma prima do senador José Serra (foto) e é apontado como operador do esquema e beneficiário de propinas

A vigésima fase da Operação Lava Jato colocou nos holofotes um novo personagem próximo a políticos do PSDB. A investigação mostra que os repasses de 15 milhões de dólares em propina da empresa belga Astra Oil para a venda da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, à Petrobras foram feitos por meio de um contrato de consultoria com uma companhia chamada Iberbras.

A partir da Iberbras, surge o nome de: Gregório Marin Preciado. Casado com uma prima do senador José Serra, do PSDB, ele é apontado pelo Ministério Público Federal como um outro operador do esquema e beneficiário de propinas.

De acordo com a Procuradoria, Baiano firmou um contrato entre a Iberbras e sua empresa, a Three Lions, para repassar dinheiro sujo a Preciado. A petição não dá mais detalhes por qual razão Preciado recebeu o dinheiro e porque a empresa era usada para a intermediação de propinas.

Preciado e Serra se conhecem de longa data. Ele foi membro do Conselho de Administração do extinto Banespa de 1983 a 1987, quando Serra foi secretário de Planejamento, e teve um terreno em sociedade com o senador em São Paulo.  Preciado foi alvo das CPI do Banespa por conta de supostas operações irregulares no banco.

Ele chegou a ser investigado por conta de uma dívida com o Banco do Brasil que teria sido reduzida em 73 milhões de reais, por meio de interferência de Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do banco e tesoureiro do PSDB.  Preciado também fez doações de campanha a Serra, em 1994, para sua candidatura ao Senado.

Baiano conta que iniciou seus negócios na Petrobras ainda na gestão de Fernando Henrique Cardoso, por volta do ano 2000. Nesse momento, conheceu o então diretor de energia, o atual senador Delcídio do Amaral (PT-MS), na época próximo ao PSDB.

Ele conta que já nessa época havia percebido a interferência política nas nomeações da estatal. Segundo ele, já no início do governo Lula, Cerveró teria dito que seria nomeado como diretor da estatal por meio de indicação de Delcídio, então senador pelo PT.

Segundo ele, as negociações políticas se iniciam em 2006, quando foi chamado por Cerveró para uma reunião. Neste encontro teria sido dito pelo diretor da estatal que em uma reunião com Delcídio e Silas Rondeau, então Ministro de Minas e Energia, foi acertado a necessidade de se contribuir para as campanhas dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Delcídio do Amaral, e Jáder Barbalho (PMDB-PA). Cerca de seis milhões de dólares teriam sido pago aos políticos por conta de um contrato dos navios sondas intermediado por Baiano. Os parlamentares negam as acusações.