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Política

Operação Lava Jato

Email da Odebrecht cita “quadrilha” e ex-presidente da Petrobras

por Henrique Beirangê publicado 28/09/2015 16h10, última modificação 28/09/2015 16h31
Troca de mensagens entre executivos da construtora revela que funcionário teria sido abordado por Graça Foster
Wilson Dias / Agência Brasil
Graça Foster

Graça Foster foi presidente da estatal entre 2012 e fevereiro deste ano

Uma troca de emails entre executivos da Odebrecht em julho do ano passado revela uma afirmação atribuída à ex-presidente da Petrobras Maria Graça Foster que colocou a direção da construtora em alerta.

A mensagem enviada pelo diretor de Plantas Industriais Rogério Araújo para o executivo da empresa Márcio Faria e para o presidente da Companhia, Marcelo Odebrecht, trata das testemunhas arroladas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa em um dos processos da Lava Jato.

Araújo afirma que um dos funcionários da Odebrecht arrolados por Costa como testemunha, o gerente da construtora Wilson Guilherme, disse ter sido abordado por Graça Foster após saber que ele iria depor no processo de Costa. De acordo com Araújo, Wilson disse que Graça teria dito a ele “pense bem no (sic) antes de ir e se definir em que quadrilha você pertence!”. Marcelo parece confuso e responde aos dois executivos da construtora: “não sei se entendi bem a mensagem dela”. Araújo devolve: “se for da quadrilha do PR, depor favorável a ele...”.

No email seguinte, Marcelo diz: “Ou seja, ela quer detonar o PR (Paulo Roberto Costa)? Não apenas não ajudar como atacar? Acha que não tem refluxo?”. Na troca de email, Aráujo também fala que ela poderia “detonar” Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, Nestor Cerveró, ex-diretor Internacional da estatal, Jorge Zelada, sucessor de Cerveró na diretoria Internacional, e José Sergio Gabrielli, antecessor de Graça Foster na presidência da Petrobras. 

Preocupado com a reação de Graça Foster, Marcelo afirma: “isso é suicídio, só vai prejudicar o governo e empresa”.

A ex-presidente da empresa sempre negou qualquer envolvimento com o esquema e ter tido conhecimento das fraudes na estatal, assim como seu antecessor, Gabrielli, e não foram, até o momento, indiciados.

Os três executivos da Odebrecht estão presos preventivamente desde junho deste ano. Cerveró também está preso e já foi condenado em dois processos que totalizam 17 anos de prisão. Duque, também detido, já foi condenado a 20 anos de prisão. Zelada foi denunciado e aguarda a sentença no presídio de São José dos Pinhais, no interior do Paraná.

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