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Política

Operação Lava Jato

Contra grampos, executivos da Odebrecht usavam celular criptografado

por Henrique Beirangê publicado 05/10/2015 18h35
Aparelhos são usados pelas Forças Armadas e por integrantes do alto escalão de governos

A preocupação com o desenrolar das investigações da Operação Lava Jato já deixava os executivos da Odebrecht alertas desde agosto do ano passado. Trocas de emails interceptados pela Polícia Federal revelam que os empreiteiros tomavam medidas de segurança para tentar evitar que suas chamadas telefônicas fossem grampeadas.  

Em uma mensagem enviada pelo presidente da companhia, Marcelo Odebrecht, para o diretor institucional da companhia, Alexandrino Alencar, e para a secretária executiva da empresa, Darci Luz, ele pergunta se Alencar está disponível em um “cripto”.

De acordo com a Polícia Federal, a sigla se refere a aparelhos celulares que dispõem da tecnologia de criptografia. O sistema codifica o envio do sinal que só pode ser decodificado quando o aparelho de destino possui a senha de acesso. A tecnologia é muito usada na área militar e por membros do primeiro escalão de governos. Alencar responde que está com o aparelho codificado e Marcelo responde que iria ligar em 10 min. Durante a troca de mensagens, Alencar afirma que se encontraria com o “italiano” e diz que aguardava instruções de Marcelo.

A Polícia Federal ainda tenta identificar quem seria o “italiano”, mas suspeitam que sejam um lobista com acesso ao alto escalão da Petrobras e tenha interferido na compra de navios-sondas pela estatal. Marcelo e Alencar estão presos desde 19 de junho quando foi deflagrada na 14ª fase da Lava Jato, Erga Omnes – em latim (vale para todos). Desde o início das investigações, já foram identificadas contas no exterior pertencentes a Odebrecht que teriam abastecido operadores em paraísos fiscais.

Lava-Jato
Documentos apreendidos pela Polícia Federal