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Política

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PGR pede abertura de inquérito contra o senador Agripino Maia

por Rodrigo Martins publicado 24/02/2015 13h49
Citado em delação feita por um empresário do Rio Grande do Norte, o presidente nacional do DEM é acusado de cobrar propina para permitir um esquema de corrupção
Orlando Brito / Coligação Muda Brasil
Agripino Maia

Agripino Maia ao lado de Aécio Neves, de quem era coordenador de campanha, em julho de 2014. Maia nega as acusações contra ele

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito contra o senador José Agripino Maia, presidente nacional do DEM e ex-coordenador da campanha de Aécio Neves (PSDB) para a Presidência da República. Citado em delação premiada feita por George Olímpio, empresário do Rio Grande do Norte, o parlamentar é acusado de cobrar propinas para permitir um esquema de corrupção no serviço de inspeção veicular do estado.

Os detalhes da delação foram divulgados no domingo 22 pelo programa Fantástico, da TV Globo. Segundo o delator, o esquema envolvia a ex-governadora e atual prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Ezequiel Ferreira (PMDB), e o senador Agripino Maia. O esquema criminoso teria ocorrido entre 2008 e 2011, quando Olímpio montou um instituto para prestar serviços de cartório ao Detran estadual. Ele afirma ter pago propinas a políticos para agilizar a tramitação do projeto de lei que criava a inspeção veicular da qual se beneficiaria. Agripino Maia teria exigido 1 milhão de reais para reforçar o caixa de sua campanha política.

O caso é investigado desde 2011 pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, quando foi deflagrada a Operação Sinal Fechado. Há três anos, CartaCapital revelou em primeira mão o depoimento de uma testemunha-chave na investigação, o lobista Alcides Fernandes Barbosa, que já apontava a participação do senador no esquema.

À época, Barbosa revelou que foi levado ao “sótão” do apartamento de Agripino Maia, em Natal, onde garante ter presenciado Olímpio negociar com o senador apoio financeiro à campanha de 2010. Segundo Barbosa, o empresário prometeu 1 milhão de reais para o presidente do DEM. O pagamento, segundo o combinado, seria feito em quatro cheques do Banco do Brasil, cada qual no valor de 250 mil reais, a ficarem sob a guarda de um homem de confiança de Agripino Maia, o ex-senador José Bezerra Júnior, conhecido por “Ximbica”. Ainda segundo a testemunha, o senador queria o dinheiro na hora, mas Olímpio afirmou que só poderia iniciar o pagamento depois.

O depoimento de Barbosa converge com as recentes revelações feitas por Olímpio. “Subimos para parte de cima da cobertura de José Agripino, começamos a conversar e ele disse: 'É George, a informação que nós temos é que você deu 5 milhões de reais para campanha de Iberê'", afirma o delator. Iberê Ferreira era o governador na época. Faleceu em 2014, aos 70 anos. “Eu dei 1 milhão para campanha de Iberê. Ele (Agripino Maia) disse: ‘pois é, como é que você pode participar da nossa campanha?’ Eu falei ‘200 mil’. Disse: ‘tenho condições de lhe conseguir esse dinheiro já. Estou lhe dando esses 200 mil, na semana que vem lhe dou 100 mil’. Ele disse: 'pronto, aí vai faltar 700 mil para dar a mesma coisa que você deu para Iberê'. Para mim, aquilo foi um aviso bastante claro de que ou você participa ou você perde a inspeção. Uma forma muito sutil, mas uma forma de chantagem”.

Como Agripino Maia tem direito a foro privilegiado, a Procuradoria Geral da República solicitou a abertura de inquérito ao STF. O caso foi distribuído à ministra Cármen Lúcia, que deverá decidir se aceita ou não o pedido. O presidente do DEM nega todas as acusações e se diz “surpreso e perplexo” com as revelações feitas por George Olímpio. De acordo com Maia, o empresário já havia registrado em cartório um desmentido. E prometeu usar a tribuna do Senado para apresentar sua defesa.

Adversária no estado, a senadora petista Fátima Bezerra pediu rigor nas investigações. “Que os órgãos de fiscalização investiguem e a Justiça julgue. Se for considerado culpado, que seja condenado como qualquer cidadão; se for considerado inocente, que seja absolvido”, afirmou a parlamentar. “O senador tem corriqueiramente se apressado em acusar, julgar e condenar desafetos. Penso diferente”, disse.