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Política

15 de março

Antipetismo virulento dá o tom do protesto em Brasília

por Rodrigo Martins publicado 15/03/2015 15h49, última modificação 15/03/2015 18h06
O ato reuniu cerca de 45 mil manifestantes, segundo estimativas da Polícia Militar do Distrito Federal. A bandeira anticorrupção tinha alvo específico: o governo e o PT
Rodrigo Martins
Protesto em Brasília

Ato em Brasília reuniu 45 mil manifestantes, estima a polícia

A Esplanada dos Ministérios foi ocupada, na manhã do domingo 15, por um ruidoso protesto contra governo da presidenta Dilma Rousseff.  Inicialmente concentrados na frente da Catedral Metropolitana de Brasília e ao lado Museu da República, os manifestantes caminharam em direção ao Congresso Nacional e depois retornaram em direção à rodoviária do Plano Piloto, onde a dispersão começou, por volta das 14 horas, embora um volumoso grupo demonstrasse disposição para permanecer mais tempo.

Brasília já amanheceu com faixas afixadas pelo Eixo Monumental a exigir “Intervenção Constitucional já”. Os ecos de 1964 se mostravam perceptíveis ainda em cartazes pela volta dos militares ou com "denúncias" sobre a presença de “comunistas” no governo. Mas o que realmente dominou a pauta foi bandeira anticorrupção, ainda que de forma bastante seletiva. O movimento era claramente contra o governo e o PT, e quase não houve menções a outros partidos envolvidos em escândalos. Os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, investigados pela Operação Lava a Jato, parecem ter sido poupados.

O discurso antipetista predomina
Agarrados a uma enorme bandeira do Brasil, um grupo entoava em coro: “Ô, o PT roubou, o PT roubou, ô...”. A agressividade era ainda maior nos brados contra lideranças do partido, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Lula cachaceiro, devolve meu dinheiro!”. Empunhando um cartaz em inglês, o cirurgião dentista Vitório Campos, de 62 anos, fez questão de apresentar suas credenciais antes de dizer a que veio. “Tenho mestrado, doutorado e pós-doutorado. Sou pesquisador da UnB e profissional liberal. Acho que chegou a hora de dizer um basta à Dilma e a esse pessoal do PT, que vem roubando acintosamente esse País, de forma covarde e sem punição”, afirma. Logo depois, abre mão da compostura: “O que a gente quer é o impeachment dessa vaca leiteira do PT”.

Ao seu lado, a empresária Graça Sousa, de 40 anos, lamentava o resultado das urnas em 2014. “Acho que a eleição foi comprada. Aqui mesmo, em Brasília, ela não ganhou. Venceu nos lugares onde o povo não tem muito conhecimento, vota em troca de cesta básica”, diz. “Passou da hora de o povo sair para a rua. Não temos médicos, não temos professores, nada”.

De cocar na cabeça, Araju Sepeti Guarani, autodeclarado indígena da etnia guarani, exibia com orgulho um cartaz “Fora Dillma e leve o PT junto”. “Estamos nos manifestando contra o roubo na Petrobras e contra o desrespeito às populações indígenas”, explica. “Na verdade, a falta de respeito é com o povo em geral, brancos e negros, todo mundo.”

Ato reuniu 45 mil manifestantes, estima a polícia
O esquema de segurança na Esplanada dos Ministérios foi bastante reforçado, com a presença de 2 mil policiais e 200 viaturas. A manifestação na capital foi convocada por meio de redes sociais por diversos coletivos e movimentos, a exemplo do Limpa Brasil, Vem Pra Rua, Movimento Brasil Contra a Corrupção, Movimento Brasil Livre  e Foro de Brasília. No auge do ato, a Polícia Militar do Distrito Federal estimou a presença de 45 mil manifestantes no centro da cidade. Os organizadores que convocaram os protestos esperavam reunir até 130 mil participantes.

Era esperada uma grande adesão dos brasilienses aos protestos contra o governo. Em 2014, Aécio Neves, do PSDB, venceu o segundo turno das eleições presidenciais no Distrito Federal, com 61,9% dos votos válidos. Além do mau momento da economia e do escândalo de corrupção na Petrobras, contribuiu para o desgaste de Dilma Rousseff a má avaliada gestão do ex-governador petista Agnelo Queiroz, que viu o projeto de reeleição naufragar ainda no primeiro turno. Vitorioso na disputa local, Rodrigo Rollemberg, do PSB, herdou o governo distrital com um rombo de 3,8 bilhões de reais e atrasos nos pagamentos de salários e benefícios dos servidores públicos, o que agravou os efeitos da crise na capital do País.