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Aécio e vice de Alckmin processam internautas

por Redação — publicado 09/09/2014 15h24, última modificação 09/09/2014 20h28
Candidato tucano e Márcio França, vice de Alckmin na disputa pelo governo de SP, estão processando blogueiros e tuiteiros que fizeram comentários "ofensivos"
Orlando Brito/ Coligação Muda Brasil e Assessoria Márcio França
Aécio Neves e Márcio França

Aécio Neves (PSDB) e Márcio França (PSB) processam twitteiros

Os candidatos Aécio Neves (PSDB), que disputa à Presidência da República, e Márcio França (PSB), vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo de São Paulo, iniciaram batalha jurídica contra blogueiros e tuiteiros. Os dois estão processando dezenas de pessoas que manifestaram opiniões negativas sobre Aécio e França nas redes sociais e teriam dirigido ofensas aos candidatos. O tucano entrou com um processo contra 66 tuiteiros no fim de agosto. Em março, o advogado do PSB em São Vicente, litoral paulista, Jefferson Teixeira, divulgou o nome de 32 pessoas também processadas por emitir comentários "de forma ofensiva".

Aécio Neves acionou o Twitter na Justiça de São Paulo para descobrir dados cadastrais e registro eletrônico de 66 usuários do Twitter, apontados como parte de "rede virtual de disseminação de mentiras e ofensas", de acordo com reportagem do portal R7. Segundo a ação, esses usuários seriam pagos para atacar candidatos e espalhar conteúdo negativo sobre ele. Foi solicitado que a ação corresse em segredo de Justiça, o que foi negado pelo juiz Helmer Augusto Toqueton Amaral, da 8ª Vara Cível de São Paulo, informou o portal. Segundo o juiz, "não se constata qualquer tipo de informação sigilosa que demandasse resguardo" e solicitou que o Twitter forneça as informações necessárias à Justiça, que analisará o conteúdo publicado por cada tuiteiro.

Integrantes da lista de processados pelo PSDB chamaram a ação de censura. O cineasta Pablo Villaça publicou texto com sua posição sobre o ocorrido. "Não creio que, como cidadão, eu esteja abusando de meus direitos ao abordar esses assuntos. Não enxergo, sinceramente, qualquer justificativa para que o senador, ex-governador e agora presidenciável recorra à Justiça para tentar me intimidar", disse ele. "Aécio tem, à sua disposição, armas como dinheiro e poder político. E é preocupante que, apenas por ser criticado (e é, afinal, uma pessoa pública que quer gerir o futuro do país), ele tente usar suas ferramentas para me impedir de usar a minha", completou.

Paulo Nogueira, ex-diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e ex-diretor editorial da Editora Globo, atualmente responsável pelo site Diário do Mundo, publicou no veículo uma "carta aberta" a Aécio Neves. "Qual o seu conceito de liberdade de expressão?", diz. Nogueira também é um dos 66 processados pela campanha do tucano. "Somos, como bem sabem nossos 2,5 milhões de leitores únicos por mês, um site de notícias e análises independente e apartidário", continuou ele. "Nossa causa maior é um 'Brasil escandinavo', como eu gosto de dizer e repetir. Um país em que ninguém seja melhor ou pior que ninguém em razão de sua conta bancária. É certo que, dentro dessa visão do mundo, entendo que o senhor representa um brutal atraso."

"Jornalismo bom para o senhor, aparentemente, é o jornalismo que o aplaude. Fico pensando como seria complicado, para os jornalistas independentes, conviverem com o senhor na Presidência", completou o jornalista.

O PSB também aderiu à caça aos internautas, inclusive oferecendo recompensa para quem informasse e-mail, endereço, telefone e local de trabalho. O processo data do mês de março, mas na noite da segunda-feira 8, pelo Twitter, o advogado do partido em São Vicente, Jefferson Teixeira, reforçou a acusação. Teixeira já havia publicado em seu perfil no Facebook o nome dos acusados pelo PSB de "estarem de forma ofensiva emitindo comentários, nas redes sociais, sobre pessoas públicas ou partidos políticos que represento judicialmente". E completou com uma oferta de recompensa: "Se você tiver informações que ajudem a localizar essas pessoas (endereço, e-mail, telefone, trabalho), me ajudem!! Envie sua informação "in box" (mensagem privada), e será recompensado". O candidato Márcio França comentou a publicação dizendo: "Pode criticar. Não pode ofender! Nem a mim nem a ninguém".

A divulgação dos nomes ganhou força dentro da rede e foi comentada e compartilhada diversas vezes. Comentários mostravam indignação com a atitude do partido de buscar, dessa maneira, informações privadas sobre internautas. Dois dias depois, em 30 de março, o presidente nacional do PSB voltou a se manifestar na publicação, rebatendo as críticas: "Não sei por que o espanto e indignação por constarem em um alguma lista de pessoas processadas", disse ele. "Em outro momento atrás, não tiveram nenhum receio de publicar, ou compartilhar, palavras e termos altamente ofensivas à minha honra". "Só o pavor explica o aparente desespero. Peçam desculpa! Seria mais simples", completou.

A campanha de Aécio Neves e o diretório central do PSB foram procurados para comentar as ações, mas até o fechamento desta reportagem não responderam à solicitação. Abaixo, a postagem do advogado de França: