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Política

Eleições 2014

No JN, Dilma rebate críticas econômicas: 'Enfrentamos a crise sem demitir'

por Redação — publicado 18/08/2014 22h17, última modificação 20/08/2014 18h40
Além de economia, William Bonner e Patrícia Poeta questionaram a presidenta sobre corrupção no governo, "mensalão" e problemas na saúde
Reprodução/TV Globo
Dilma no Jornal Nacional

Dilma disse que não vai opinar sobre o "mensalão" enquanto for presidenta e enalteceu o programa Mais Médicos

O Jornal Nacional, da TV Globo, deu continuidade, nesta segunda-feira 18, à série de entrevistas com os presidenciáveis. Desta vez, William Bonner e Patrícia Poeta sabatinaram a presidenta e candidata à reeleição, Dilma Rousseff. Os apresentadores abordaram os escândalos de corrupção no governo, os problemas na saúde e, principalmente, a estagnação da economia brasileira. Bonner questionou Dilma por “sempre” culpar a crise internacional e o pessimismo do mercado pelos altos índices de inflação e baixo crescimento econômico, mas a presidenta rebateu ao lembrar a ausência de desemprego e o aumento da renda durante seu governo.

“Nós enfrentamos a crise, pela primeira vez no Brasil, não desempregando, não arrochando salários, não aumentando tributos – pelo contrário, diminuimos, reduzimos e desoneramos a folha, reduzimos a incidência de tributos sobre a cesta básica. Nós enfrentamos a crise também sem demitir”, afirmou antes de dizer que as taxas de crescimento devem ser melhores no segundo semestre.

Diante da resposta, Bonner insistiu. O jornalista classificou a situação econômica do País como “muito ruim” e perguntou se a afirmação de Dilma não era apenas otimismo do governo. A presidenta retrucou ao argumentar que está se baseando nos “índices antecedentes”. "A quantidade de papelão que é comprada, a quantidade de energia que é consumida, a quantidade de carros que é vendida, todos esses índices indicam uma recuperação no segundo semestre”, complementou.

Além disso, ela lembrou a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu que o Brasil tem de continuar sendo um país de classe média. “Criamos as condições para o País dar um salto colocando a educação no centro de tudo. E isso significa que queremos continuar a ser um país de classe média, cada vez maior a participação da classe média.”

Na primeira parte da entrevista, os apresentadores abordaram também os escândalos de corrupção que vieram à tona durante a gestão da petista. Depois de numerar os ministérios que já foram alvos de investigação, o apresentador do Jornal Nacional perguntou se o PT não descuida da questão ética.

Em resposta, a candidata lembrou os “mecanismos de combate à corrupção” lançados nos últimos 12 anos, como a criação da Controladoria-Geral da União (CGU) e a aprovação da Lei de Acesso à Informação. A explicação fez Bonner mencionar o “mensalão”. Segundo ele, o partido da presidenta tratou os condenados no escândalo como “guerreiros”. Após citar o caso, o apresentador questionou qual era a posição de Dilma sobre o assunto. A presidenta, no entanto, disse que enquanto estiver no cargo não vai comentar o julgamento no Supremo Tribunal Federal.

“Eu sou presidente. Eu não faço nenhuma observação sobre julgamentos realizados pelo Supremo Tribunal. A Constituição exige do presidente da República que respeite e considere a autonomia dos outros órgãos. Eu não julgo as ações do  Supremo. Eu tenho opiniões pessoais. Durante o processo inteiro não manifestei nenhuma opinião. Não vou tomar nenhuma posição que me coloque em confronto, em conflito”, disse.

O outro assunto levantado pelos âncoras da TV Globo foi a insatisfação dos brasileiros com o sistema de saúde no País. Patrícia perguntou como a candidata do PT classificava a situação da saúde no Brasil. Dilma evitou definir o problema em uma palavra, mas se defendeu ao falar que o governo foi corajoso ao trazer médicos de outros países para suprir a ausência de profissionais no setor de atenção básica.

“O Brasil precisa de uma reforma federativa. Há responsabilidades municipais, estaduais e federais. Nós assumimos (a falta de médicos) como (uma responsabilidade) federal porque temos mais recursos”, afirmou.