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Política

Eleições 2014

Costa diz que ex-presidente do PSDB recebeu propina

por Redação — publicado 17/10/2014 16h32, última modificação 18/10/2014 17h53
Segundo ex-diretor da Petrobras, a construtora Queiroz Galvão pagou R$ 10 milhões para esvaziar CPI da estatal
José Cruz/Agência Brasil
Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB

Sérgio Guerra foi senador e um dos principais críticos do governo do PT

Beneficiado com a delação premiada, o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa deu novos depoimentos que incluem, agora, o PSDB no esquema de corrupção da Petrobras. Costa afirmou que deu propina, em 2009, ao ex-presidente do partido tucano Sérgio Guerra para que ele esvaziasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretendia esclarecer as denúncias de corrupção na estatal. Guerra morreu neste ano e foi substituído no cargo por Aécio Neves, hoje candidato do PSDB à Presidência. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo a declaração do ex-diretor da Petrobras, foi Guerra quem o procurou e cobrou 10 milhões de reais para que a CPI, aberta em julho de 2009, fosse encerrada. Ainda de acordo com Costa, Guerra contou que usaria a propina para a campanha presidencial de 2010, em que a presidenta Dilma Rousseff venceu o então candidato do PSDB José Serra, eleito senador da República neste ano.

O pagamento teria sido feito depois que a comissão foi encerrada sem punições, no fim daquele ano. Além de presidente do partido, Guerra era senador na época e um dos 11 membros da CPI – três integrantes eram da oposição e acusaram o governo de impedir as apurações. O suposto acordo teria servido para esconder as descobertas de irregularidades nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Por isso, a propina teria sido paga pela Construtora Queiroz Galvão, citada no caso de superfaturamento e desvios da Abreu e Lima. Iniciada em 2008, a obra ainda não foi terminada e tem superfaturamento comprovado pelo Tribunal de Contas da União e Ministério Público Federal.

Paulo Roberto Costa já havia denunciado que 12 senadores, 49 deputados federais e ao menos um governador já receberam dinheiro desviado da estatal. Os políticos de PT, PMDB e PP ficavam com 3% do valor dos contratos da Petrobras no período em que Costa foi diretor da estatal, entre 2004 e 2012, afirmou ele.

Os depoimentos de Costa começaram no dia 29 de setembro. Foram cerca de cem encontros com procuradores do Ministério Público Federal e delegados da Polícia Federal nos quais o ex-diretor da estatal teria narrado os pormenores da relação entre as empresas ligadas a Alberto Youssef, um pool de empreiteiras e bilionárias licitações na Petrobras. Por causa do surgimento de pessoas com foro privilegiado, os depoimentos foram criptografados e enviados ao ministro Teori Zavascki, relator do inquérito da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Biografia

O deputado federal Sérgio Guerra morreu, aos 66 anos, vítima de pneumonia decorrente de complicações de um câncer de pulmão. Ele atuou em várias comissões parlamentares de inquérito (CPIs), entre elas, a dos Correios, que investigou um esquema de compra de votos na base do governo.

Em 2006, Sérgio Guerra assumiu a campanha do candidato tucano à Presidência Geraldo Alckmin. No ano seguinte, foi eleito presidente nacional do PSDB no lugar do então senador Tasso Jereissati (CE). Em 2009, Guerra tentou formalizar um acordo com os precandidatos à Presidência da República pelo partido, o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e o de São Paulo, José Serra. A proposta não vingou e Serra, candidato do partido, foi derrotado por Dilma Rousseff.