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Política

Eleições 2014

Eduardo Campos é progressista?

por Redação — publicado 06/08/2014 15h45
A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) critica campanha e diz que o candidato deve se posicionar ao lado da "massa de trabalhadores"
Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Luiza Erundina

Luiza Erundina no plenário da Câmara. Ela quer propostas mais concretas de Eduardo Campos

A tentativa de criar uma terceira via na eleição presidencial, em que PT e PSDB buscam polarizar o eleitorado pelo sexto pleito consecutivo, não é uma tarefa fácil para Eduardo Campos, o candidato do PSB ao Planalto. Nesta quarta-feira 6, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) criticou a campanha do correligionário e disse que ele precisa apresentar propostas mais progressistas para conquistar o eleitor.

Segundo Erundina, há uma "ambiguidade" na campanha, manifestada pela dificuldade de se posicionar em temas delicados, em que a escolha é entre uma alternativa de apelo popular e outra agradável para elites financeiras. Erundina defendeu, em entrevista ao Estadão, que a candidatura de Campos, opte pelo primeiro caminho e "pense na maioria". "[A ambiguidade existe] porque não se acredita no voto popular, não se acredita na massa". Para Erundina, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) têm mais condições de obter o apoio das elites financeiras, então Campos e sua vice, Marina Silva (AC), devem apelar à "massa de trabalhadores".

A deputada federal afirmou que não adianta o PSB buscar propostas que sirvam a todos os setores. "Toda proposta que tenha consenso não é proposta que sirva numa sociedade contraditória, desigual e injusta como a nossa", afirmou.

Ex-prefeita de São Paulo, Erundina usou como exemplo de suas críticas a proposta de Eduardo Campos para dar passe livre aos estudantes no transporte público. Para ela, o candidato foi tímido e deveria pensar o passe livre como "direito social à mobilidade", financiado com "aumento de imposto sobre a propriedade". "Não pode ficar adiando, tem que pensar em justiça social, justiça fiscal, distribuir encargos tributários, senão você agrava as desigualdades", afirmou. "Um governo progressista não pode anunciar que vai acabar com tributo, ele tem de dizer que vai distribuir a estrutura tributária de forma mais justa", afirmou.