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Política

Eleições 2014

Câmara frustra expectativas e não se renova

por Piero Locatelli — publicado 07/10/2014 10h00, última modificação 07/10/2014 10h10
Nesta eleição, 273 deputados federais foram reeleitos e 240 são novos nomes; renovação está na média dos pleitos anteriores
Agência Brasil

Botão Eleições 2014Ao contrário da expectativa após as mobilizações nas ruas no ano passado, uma grande renovação dos nomes que ocupam a Câmara dos Deputados não aconteceu neste ano. Segundo levantamento feito pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), a troca de nomes aconteceu de maneira similar ao que ocorre desde 1990.

Dos 513 deputados que devem ocupar a Câmara a partir do dia 1º de janeiro, 273 foram reeleitos e 240 são novos deputados federais. Desta forma, a renovação foi de 46,78% – índice muito próximo à média histórica (veja tabela abaixo). Na última eleição, por exemplo, a taxa de renovação foi de 47,95%, ainda segundo o instituto.

Desde a Constituição de 1988, a maior renovação aconteceu na primeira eleição após sua promulgação, em 1990, quando 61,82% da casa foi composta por novos nomes. A menor foi em 1998, ano da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, quando 43,86% dos deputados foram trocados.

Ano Reeleitos Novos Renovação
1990 189 306 61,82%
1994 230 273 54,28%
1998 288 225 43,86%
2002 283 230 44,83%
2006 267 246 47,95%
2010 286 227 44,25%
2014 273 240 46,78%

O resultado contradiz previsões de diversos analistas, incluindo do próprio instituto. No dia 30 de setembro de 2013, a um ano da eleição, o diretor de Documentação do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, escreveu artigo onde previa uma grande mudança.

Queiroz colocava quatro fatores como causa para essa renovação. O primeiro seria uma ênfase maior dos partidos na Câmara dos Deputados, uma vez que o número de representantes naquela casa estabelece o repasse do fundo partidário e o tempo na televisão e no rádio de cada legenda. O segundo seria a consequência da indignação mostrada nos protestos de rua, clamando por mudanças e movido à indignação. O terceiro motivo elencado por Queiroz seria uma grande desistência de candidatos à reeleição devido a uma desilusão com o Parlamento.

Por fim, Queiroz atribuía a provável mudança ao atual ambiente político. “Quando o ambiente é de crise, com escândalos, como o atual, a renovação aumenta.”

Os erros nas previsões de Queiroz mostram a dificuldade que diversos analistas tiveram ao prever os resultados eleitorais deste ano, em diversos estados e para os dois diferentes poderes. Agora, os resultados mostram que a indignação da rua e o grande sentimento de mudança, levantado em inúmeras pesquisas, não transbordou para as ruas.