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Política

Eleições 2014

Ana Amélia Lemos foi servidora do Senado enquanto era diretora da RBS

por Redação — publicado 15/09/2014 16h46
A senadora do PP, candidata ao governo do RS, tem como principal bandeira na eleição a diminuição dos cargos comissionados, como o que ocupou no década de 1980
Reprodução

Candidata ao governo do Rio Grande do Sul, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) tem como sua principal proposta diminuir o número de cargos comissionados no estado, aqueles que são fruto de indicação política. A intenção de Ana Amélia parece contraditória tendo em vista a sua história profissional.

“Nós temos mais de 6 mil cargos comissionados. Só no gabinete do governador e do vice-governador são 12, com status de secretário. São cargos desnecessários e muito caros” disse a senadora no primeiro debate entre os candidato no Estado. Em inúmeras vezes, Ana Amélia reiterou que este era um modo de melhorar o frágil orçamento do estado.

Ao longo de dois meses de campanha, Ana Amélia omitiu que ela mesma ocupou um cargo comissionado no Senado Federal enquanto era diretora da sucursal em Brasília do Grupo RBS, afiliado à Rede Globo. A senadora foi indicada para ocupar a vaga no gabinete do seu ex-marido, o senador biônico Octávio Omar Cardoso, em 1986. A informação foi divulgada pelo portal Sul 21 e depois confirmada pela própria candidata.

O salário indicado pela portaria era de CR$ 9 mil, equivalente a cerca de 8 mil reais em valores atualizados, segundo o portal G1. A função dela era, segundo a portaria, prestar “apoio administrativo ao titular do gabinete, preparar e expedir sua correspondência, atender as partes que solicitam audiência, executar trabalhos datilográficos, realizar pesquisas, acompanhar junto às repartições públicas assuntos de interesse do Parlamentar e desempenhar outras atividades peculiares à função”.

O horário previsto era de oito horas diárias, cinco dias por semana. Em entrevista ao portal Terra, Ana Amélia disse que, mesmo com esse horário, era possível conciliar as duas atividades. “Não havia nenhuma incompatibilidade, os salários eram baixos e os jornalistas exerciam essas funções”, disse a senadora.

As funções lembradas pela senadora na entrevista contrastam com todas aquelas elencadas pela portaria. “O que eu fazia? Tão somente clipagem de jornais, das matérias de interesse, seleção de pautas para monitorar os pronunciamentos, apenas isso, a singeleza disso”, disse a senadora. Ana Amélia também descreveu como fazia para conciliar as oitos horas do trabalho no Senado com a chefia de uma sucursal. “Só hoje o Senado tem ponto”, disse a senadora. O dinheiro era recebido, segundo a própria Ana Amélia, para “pegar os jornais que chegavam cedo à minha casa e fazer a seleção das matérias que interessavam.”

Por fim, a senadora ainda lembra que nepotismo só passou a ser um crime depois da Constituição de 1988 e classificou a divulgação desta informação como "terrorismo eleitoral" pelo PT, partido do seu principal adversário na disputa, o governador Tarso Genro.

Procurada, a RBS não quis comentar o ato da senadora. Porém, o empregador comentava este tipo de indicação em editorial publicado no mesmo dia em que a senadora foi empregada pelo Senado. Conforme reproduzido pelo site Sul21, o texto da Zero Hora do dia 9 de junho de 1986 falava que “a obrigatoriedade do concurso para provimento efetivo de cargos públicos é constantemente ignorada pela política do nepotismo, do apadrinhamento e do favorecimento.”