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Política

Comemoração

PT completa 34 anos e ameaça voltar a ser valente

por Fábio Serapião — publicado 11/02/2014 05h59, última modificação 12/02/2014 22h36
A depender dos discursos proferidos na noite de segunda-feira, o Partido dos Trabalhadores aparenta ter decidido retomar a valentia esquecida após a chegada ao poder
Joca Duarte / LD / PT

A depender dos discursos proferidos na noite de segunda-feira durante comemoração dos seus 34 anos de fundação, o Partido dos Trabalhadores (PT) aparenta ter decidido retomar a valentia esquecida após a chegada ao poder.

Sob um clima não tão leve como se esperava para uma festa, os convidados mais ilustres do aniversário – a presidenta Dilma Roussef, o pré-candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, e o presidente nacional da sigla, Rui Falcão – dispararam ataques (diretos e indiretos) a seus principais adversários.

O partido parece ter sido chamado às falas por Lula. Em discurso durante evento de lançamento da pré-campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo(reprisado no evento), o ex-presidente já com um pouco da sua antiga barba conclamou a militância a defender as bandeiras e os feitos petistas na direção do país.

"Não fizemos tudo que poderíamos ter feito, mas vamos fazer ainda mais. Entendemos mais de povo que os tucanos e ninguém fez mais por esse País do que o Partido dos Trabalhadores".

Foi além. Apontou para a possibilidade dos discursos em defesa do partido mirarem, inclusive, o Supremo Tribunal Federal e a toga de seu presidente Joaquim Barbosa. No domingo, reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, já explicava que a barba e o tom do discurso de Lula eram parte da estratégia petista de responder com ataques às investidas da oposição e de possíveis inimigos contra as conquistas dos governos Lula e Dilma.

O que se viu no palco do Grande Auditório do Anhembi foi a ordem do mestre seguida à risca pelos designados para a artilharia petista. Como cereja do bolo, o discurso da presidenta Dilma encerrou o evento sem poupar uma palavra de exaltação às conquistas dos governos Lula e do seu mandato até aqui. Classificou como “pessimistas” os críticos dos resultados da política econômica do governo e de “caras de paus” os crentes no fim do ciclo petista no comando do governo federal.

"Eles teimam, teimam mesmo, em não enxergar que estamos conseguindo construir esse novo Brasil, sem abdicar dos nossos compromissos com a solidez dos fundamentos macroeconômicos, com controle da inflação, equilíbrio das contas públicas, e fazendo a dívida líquida do setor público cair", afirmou.

De forma bem discreta, Dilma ainda reservou um pedacinho dos seus 40 minutos de discurso para lembrar os condenados no julgamento do Mensalão ao afagar a militância "solidária com todos aqueles que concorreram ou concorrem a cargos, mas solidária especialmente com companheiros que mais precisam dela, com companheiros nas situações mais difíceis".

Pouco antes da fala da presidenta, integrantes da corrente O Trabalho haviam interrompido o discurso de Rui Falcão para pendurar um faixa pedindo a anulação do julgamento da AP 470. A manifestação de apoio foi feita ao som de “Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro.” Essa interrupção do discurso do presidente do PT foi a primeira de duas. Na segunda, o motivo foi Eduardo Suplicy. Ao perceber o senador sentado na plateia, a militância começou a gritar pedindo que ele ocupasse uma das cadeiras da mesa principal.

Quando o coro impediu sua fala, Falcão informou ser ele, Suplicy, quem havia escolhido sentar ali, estando a mesa principal à sua disposição (será que a vaga ao Senado também?). Tão logo ouviu a afirmação, Suplicy saltou para cima do palco e ocupou um espaço ao lado do prefeito Fernando Haddad. O prefeito, vale constar, foi vaiado por um pequeno grupo ligado ao movimento de moradia na capital.

Mesmo interrompido por duas vezes, Rui Falcão utilizou quase todo o tempo de seu discurso para defender o partido, seus integrantes e atacar adversários e críticos do governo. Para os dois principais nomes da oposição, Falcão criou apelidos. Aécio foi transformado em “neopassadismo” e Eduardo Campos em “novovelhismo”.

Segundo ele, juntos, os dois “são parte de um mesmo corpo” e se diferenciam apenas nos personagens. Aécio e seu PSDB seriam ansiosos pela volta de “dinossauros”, os quais o “povo tem enxotado, seguidamente, pelo voto”. Já os “novovelhistas”, ligados ao governador de Pernambuco, são “falsos novos” que sonham poder “fascinar os brasileiros”.

Antes de disparar contra o Supremo Tribunal Federal, o presidente do agora valente PT afirmou ainda que o partido não nasceu para apanhar calado e nem “para virar saco de pancadas”. Um dos recados foi para o ministro Gilmar Mendes, destinatário da afirmação de que a Corte não é um partido político, nem uma torcida organizada.

Já muito bem adaptado á fantasia de candidato, o ex-ministro Alexandre Padilha também não deixou a oportunidade passar em branco. Embalado pela militância que o ovacionava, Padilha esbanjou confiança ao cravar que o partido vai ganhar as eleições em São Paulo.

Segundo ele, seus adversários tucanos estão com a “pilha fraca” e o governo de Geraldo Alckmin é “lento”, “acomodado” e “sem coragem”.

Padilha criticou ainda o comportamento, segundo ele, anti-republicano dos tucanos paulistas ao privilegiar cidades comandadas por partidos da base do governo. “O PT vai ganhar em São Paulo para trazer a era republicana para a relação do Palácio dos Bandeirantes com os 645 municípios do estado”.

Que os petistas parecem dispostos a sair da defensiva com os adversários, é fato. Resta saber se a postura será a mesma com os aliados que se apoiam na manutenção governabilidade para inflacionar o valor das alianças. Até agora, apenas o PCdoB, e seu presidente Renato Rabelo, acreditam ser recompensados o bastante a ponto de dar parabéns pessoalmente ao Partido dos Trabalhadores em sua festa de 34 anos de existência.

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