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Política

Operação Lava Jato

Presos da Lava Jato rejeitam trocar carceragem da PF por presídio

por Fabio Serapião — publicado 10/02/2015 14h38
Após boatos sobre condições precárias do espaço, o juiz Sergio Moro indagou defesas de Youssef e do executivo da Galvão Engenharia, Erton Fonseca, se eles queriam migrar para cadeia estadual.
Comunicação Social JFPR
Justiça Federal

Sede da Justiça Federal, em Curitiba, onde são realizadas as audiências da Operação Lava Jato

Alvo de ataques desde que os processos sob sua tutela alcançaram figurões do empresariado brasileiro, o juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, aproveitou a audiência do processo envolvendo o doleiro Alberto Youssef e a empreiteira Galvão Engenharia para questionar as defesas dos réus sobre o interesse de seus clientes em deixar a carceragem da Polícia Federal com destino a uma penitenciária estadual. Ao salientar "que não partiam especificamente das partes deste feito", Moro justificou que os questionamentos eram necessários devido a "supostas reclamações das condições da carceragem da PF".

Nos últimos dias, foram replicadas na internet notícias sobre suposta precariedade do espaço e maus tratos contra os presos como forma de alcançar novos acordos de colaboração premiada. A carceragem chegou a ser chamada de masmorra e Guantánamo do Moro, em alusão ao famoso presídio americano em Cuba, palco de torturas e abusos aos direitos humanos praticados pelos Estados Unidos.

Avesso aos holofotes, o juiz Moro respondeu nos autos aos ataques. Como resposta, recebeu dos advogados de Youssef e Fonseca a informação de que não é do interesse dos réus trocar a sede da PF em Curitiba por uma penitenciária estadual. Ao que parece, as condições não tão ruins assim.

Diz o despacho o termo de audiência:

“7. Ao final, diante de supostas reclamações das condições da carceragem da Polícia Federal, que não partiram especificamente das partes deste feito, o Juízo esclareceu aos defensores do acusado Erton que entendeu que a permanência dele e dos demais presos na Polícia federal ocorria no benefício dele, consistindo a alternativa na transferência ao sistema prisional estadual. De todo o modo, em vista do ocorrido, foi indagada à Defesa presente se haveria interesse na transferência do referido acusado ao sistema prisional estadual, sendo informado ao Juízo da preferência na permanência nas dependências da Polícia Federal. A mesma indagação foi feita ao defensor de Alberto Youssef, tendo este se manifestado no sentido de que não tem interesse na transferência ao sistema prisional estadual. Assim, o Juízo decidiu pela continuidade da situação atual.”