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Política

Lava Jato

Polícia Federal prende Adir Assad, operador da Delta Engenharia

por Fabio Serapião — publicado 16/03/2015 14h31, última modificação 16/03/2015 16h43
Para Ministério Público Federal, o operador flagrado na CPI do Cachoeira como pagador de propina da empresa de Fernando Cavendish desempenhava função similar a Alberto Youssef
José Cruz/ABr
Adir Assad

Justiça afirma haver prova do “envolvimento direto [de Assad] na lavagem de dinheiro de cerca de 40 milhões de reais desviados das obras da Petrobras"

Com base nas provas colhidas ao longo das 10 fases da Operação Lava Jato, o juiz Sergio Moro autorizou a prisão do empresário Adir Assad e três pessoas ligadas a ele. De acordo com os investigadores, as empresas de fachada controladas por Assad foram utilizadas pela organização criminosa a atuar na Petrobras para viabilizar o pagamento de propina nas obras da Repar, a Refinaria de Araucárias, no Paraná.

Em nome de Assad, Dario Teixeira, Sueli Branco e Sonia Branco, as empresas de fachada Legend Suppliers Importação e Exportação Ltda, Legend Engenheiros Associados, Soterra Terraplanagem, Rock Star Marketing, SM Terraplanagem e Power To Ten Engenharia, diz o MPF, teriam efetuado transferências “a contas controladas por Alberto Youssef, em contexto ainda não esclarecido”. Para os investigadores, tais movimentações indicam o envolvimento do grupo criminoso dirigido por Adir Assad em outros crimes de desvio de recursos da Petrobras que não o ora sob exame”.

Em despacho que autoriza a prisão de Assad, o juiz Moro afirma haver prova do “envolvimento direto (de Assad) na lavagem de dinheiro de cerca de 40 milhões de reais desviados das obras da Petrobras e no pagamento de propinas a Renato Duque e a Pedro BaruscoAs circunstâncias em torno dos fatos, com a abertura e utilização de pelo menos cinco empresas de fachada, com simulação de contratos de prestação de serviços e emissão de dezenas de notas fiscais fraudulentas, indicam habitualidade e profissionalismo na prática de crimes graves, de lavagem e corrupção”.

Para Moro, as provas colhidas até o momento vão no sentido de que o grupo comandado por Assad desempenhava papel semelhante ao dirigido por Alberto Youssef. Também em seu despacho, o juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba aponta que, segundo o MPF, “Adir Assad já teria ficado conhecido nacionalmente por seu suposto envolvimento do desvio de cerca de 421 milhões de reais por meio de contratos superfaturados da empresa Delta Construções S/A, o que teria sido objeto das assim denominadas Operações Vegas e Monte Carlo da Polícia Federal”.

Alvo das operações que investigaram o bicheiro Carlinhos Cachoeira, Assad foi motivo pelo qual a CPI instalada para apurar as transações entre ele a Delta Engenharia ter sido encerrada sem ao menos a produção de um relatório final. Á época, os parlamentares foram pressionados pela bancada do PMDB que temia o envolvimento do então governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, com o presidente da Delta, Fernando Cavendish.

Diz Moro: “Além disso, os apontamentos de que pelo menos uma das empresas, a Rock Star, teria sido utilizado em outro esquema criminoso de lavagem, envolvendo a investigação da Delta Construções S/A, de Fernando Cavendish, é mais um sinal de que não se trata aqui de um crime isoloado no tempo e espaço, mas de um grupo criminoso profissionalmente dedicado à lavagem de dinheiro e à corrupção”.

Antes da Lava Jato, Assad já havia sido alvo da operação Saqueadores, da Polícia Federal do Rio de Janeiro. A investigação apontou que as empresas de fachadas de sua titularidade receberam cerca de 1 bilhão de reais das principais empreiteiras do País.