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Política

Conflito Agrário

Justiça condena fazendeiro pelo assassinato do sindicalista Dezinho

por Redação — publicado 30/04/2014 21h37, última modificação 30/04/2014 21h43
José Dutra da Costa era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará e se destacou por defender reforma agrária, mas acabou assassinado em novembro de 2000
Antônio Cícero/Agência Pública
Maria Joel perdeu o marido e assumiu o sindicato no seu lugar

Maria Joel, a viúva de Dezinho, que foi morto na porta de casa

O Tribunal do Júri do Pará condenou a 12 anos de prisão, nesta quarta-feira 30, o fazendeiro Décio José Barroso Nunes, o Delsão. Ele foi considerado culpado pelo crime de homicídio duplamente qualificado do sindicalista Dezinho, como era conhecido José Dutra da Costa. Dezinho foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará e se destacou por defender reforma agrária para terras improdutivas da região, mas acabou assassinado na porta de sua casa em novembro de 2000.

A Justiça já havia condenado, em 2007, o autor dos disparos, Wellington de Jesus Silva, que foi preso em flagrante por populares logo após o crime. Apesar de sentenciado a 27 anos de cadeia, ele foi autorizado a passar um feriado de final de ano em casa e nunca mais retornou para cumprir a pena. Os intermediários do crime Igoismar Mariano e Rogério Dias tiveram suas prisões decretadas, mas também estão foragidos. No ano passado, outros dois acusados de terem participação no crime foram absolvidos.

A ocupação de terras por famílias de trabalhadores rurais em Rondon do Pará começou na década de 70, quando algumas delas ali chegaram e formaram roçados. Depois de 10 anos de ocupação, começaram a aparecer fazendeiros se dizendo donos da terra e perseguindo os trabalhadores rurais. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e as organizações não-governamentais (ONGs) Justiça Global e Terra de Direitos, os fazendeiros faziam ameaças e impediam as famílias de trabalhar. A situação foi se agravando, até a morte de Dezinho, que entrou para o sindicato em 1993 e permaneceu ali por dois mandatos.

Ainda hoje, de acordo com a viúva de Dezinho, Maria Joel da Costa, a situação da terra em Rondon do Pará é delicada. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) criou vários assentamentos em áreas públicas retomadas de fazendeiros e grileiros que não produziam nas propriedades. Mas há vários casos, de acordo com a CPT, em que a Justiça concedeu liminar de reintegração de posse aos supostos proprietários, impedindo a regularização desses projetos.

*Com informações da Agência Brasil