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Sociedade

Refogado

Por que artesanal?

por Marcio Alemão publicado 06/07/2014 09h29
Não dá para fazer aqui um presunto cru comível, um salame decente?
Flickr / Giorgio Minguzzi
Salame

Na Riviera Francesa, paga-se muito e come-se de forma medíocre

Voltando à Riviera Francesa e tentando deixar claro o que significa “comer bem pode ser ruim”, digo que não é diferente do que rola por aqui: pagar muito e comer de forma medíocre.

Assim aconteceu em Mônaco. Pratos bons. Mas, pelo valor, eu esperava mais. Sendo mais justo: eu não esperava, mas apenas torcia. O local é sede dos bacanas do mundo e o gosto dessa nova turma – sim, a Europa tem uma nova cara, uma nova turma – nem sempre é o mais apurado. Um dia chegarão lá.

Até o momento preocuparam-se apenas em fazer dinheiro e o fizeram muito rapidamente. Chegará a hora de voltar para a  escola, ter aulas de história da arte, de história, de conhecimentos gerais (faz tempo que não vejo essa disciplina ser citada).

Se a exigência de quem está na mesa cai, tudo vem junto, como uma avalanche.

Por isso conclui que teria feito melhor negócio, considerando simplesmente a minha condição financeira, gastar 10 euros com pizzas, massas medíocres e não 75 euros com um refinamento que não me deixou saudade.

O que sempre me deixa saudoso são as idas aos supermercados. O que nos atendia na redondeza era um Carrefour. Não se compara com o que temos, claro. Mas então pergunto: por que não? Temos uma terra improdutiva, um clima semelhante ao da Islândia e zero conhecimento técnico para produzir a fartura que lá se encontra em qualquer seção? Por que um salaminho que não seja artesanal... corrigindo: por que quaisquer embutidos de lá são abissalmente superiores.

Sério. Ando meio cansado dessa conversa: “Descobri um senhor no interior de Itupatinga que tem feito nossos salames e uma linguiça... zzzzzzzzzzzzz”.

Ainda é coisa de desbravadores descolados, em uma megacidade como São Paulo, achar um salame decente. Por que a indústria não faz? Por que a indústria nos empurra uma tora de sal e sulfito de baixíssima qualidade há mais de cem anos? Por que nosso presunto cru é incomível e mesmo as linhas gourmets, especiais, executives top premium black são apenas um pouquinho melhor?

O motivo, quem sabe, seja o mesmo citado lá no alto da página: quem come não tá ligando. Uma dúzia de limões e um vidro de molho Jimmy deixam qualquer salame aceitável.

O.k., posso estar cometendo um erro. Esses salames feitos por aqui têm mais uma função profilática. O camarada começa a encher a cara e sempre aparece uma boa alma para dizer: “Come alguma coisa salgada”. E nessa hora entra o nosso salame.

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